
O Ministério do Turismo do Brasil (MTur) confirmou que 227 empresas brasileiras de gestão de viagens foram pré-aprovadas para receber grupos organizados de visitantes chineses — poucas horas antes do encerramento das inscrições, às 23h59 do dia 17 de abril. A chamada extraordinária, aberta desde 30 de março, faz parte de um memorando bilateral assinado no final de 2025, que permite aos operadores turísticos chineses vender o Brasil como destino em pacotes, além de isentar os cidadãos chineses da necessidade de visto turístico para estadias de até 30 dias. Embora a isenção seja atualmente unilateral — a China eliminou os vistos para brasileiros em 2025 — o governo brasileiro discute abertamente a possibilidade de adotar um modelo de reciprocidade total. Autoridades seniores do MTur informaram aos setores do turismo que a decisão sobre a reimposição de vistos para turistas chineses dependerá do “avanço mensurável” no equilíbrio dos fluxos turísticos e da gestão chinesa das cotas para viagens em grupo ao exterior. Ao selecionar um grupo restrito de agências aprovadas, Brasília busca garantir controle de qualidade e rastreabilidade dos dados caso um regime recíproco de vistos seja implementado ainda este ano. Pelo programa, apenas empresas com histórico limpo no Cadastur, o cadastro nacional de turismo, e que aceitem os termos do Memorando de Entendimento Brasil-China podem concorrer. As aprovadas recebem licença operacional válida por doze meses e serão incluídas em um diretório oficial divulgado em canais digitais chineses, como WeChat e C-trip. A lista dos selecionados será publicada em 27 de abril no Diário Oficial da União e no site do MTur. Para gestores de mobilidade corporativa, o anúncio é relevante por dois motivos. Primeiro, a China é a fonte de investimento estrangeiro direto que mais cresce no Brasil, e a facilitação do turismo de lazer costuma antecipar um aumento nas visitas executivas e nas missões de trabalho de curto prazo. Segundo, a adoção da reciprocidade pode levar o Brasil a reforçar a checagem documental na chegada ou a reconfigurar suas plataformas de e-Visa — mudanças que impactariam ferramentas de reserva, fluxos de avaliação de risco e protocolos de privacidade de dados. Agências que perderam o prazo ainda têm uma chance: o MTur sinalizou que abrirá um canal de credenciamento contínuo ainda este ano, após análise dos primeiros resultados. Multinacionais que planejam viagens de incentivo ou projetos com viajantes chineses são recomendadas a contratar fornecedores credenciados para garantir que as orientações sobre vistos estejam sempre atualizadas.
Fonte: Ministério do Turismo
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