
Il Fatto Quotidiano revelou em 14 de junho que uma professora de Turim e ativista do Extinction Rebellion foi submetida a três revistas intensivas no aeroporto de Malpensa, em Milão, em apenas seis meses — duas vezes na chegada e uma na saída — mesmo sem qualquer antecedente criminal. Na sua viagem mais recente, ao retornar do Canadá em 5 de junho, o sistema eletrônico de controle de passaportes sinalizou seu documento com um “X” vermelho, o que levou a polícia de fronteira a detê-la por quase uma hora e ordenar uma revista completa em sua bagagem. A viajante filmou partes do incidente, obtendo um raro registro escrito da revista. Seus advogados agora buscam acesso a qualquer arquivo de “precedentes policiais” que possa relacionar a participação em protestos não violentos a um aumento na fiscalização nas fronteiras. O Extinction Rebellion afirma que dezenas de membros enfrentaram bloqueios semelhantes desde 2025, o que levou grupos de direitos civis a questionar se o banco de dados das fronteiras italianas está sendo usado para monitorar ativismo político em vez de ameaças à segurança. Para equipes de mobilidade global, o caso evidencia uma área cinzenta: a polícia italiana tem amplos poderes discricionários nas fronteiras externas do espaço Schengen (incluindo os terminais de chegada extra-UE, como o Terminal 1 de Malpensa). Viajantes a negócios que tenham participado de manifestações — ou que simplesmente compartilhem nome com alguém que tenha — podem enfrentar atrasos, conexões perdidas ou inspeções em dispositivos eletrônicos. Especialistas jurídicos alertam que, com o novo Sistema de Entrada/Saída da UE, dados biométricos serão cruzados com listas nacionais de vigilância, aumentando o risco de “falsos positivos”. Eles recomendam que viajantes submetidos a inspeções secundárias exijam um verbale (relatório) por escrito e anotem os números das credenciais dos agentes, pois isso pode acelerar a correção de eventuais erros. O Ministério do Interior não se pronunciou, mas deputados da oposição apresentaram uma questão parlamentar. Empresas que organizam eventos com foco ambiental na Itália acompanham o desdobramento, conscientes de que o ativismo dos funcionários cresce globalmente.
Fonte: Il Fatto Quotidiano
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