
As táticas de controle migratório em Chipre voltaram a ser alvo de críticas após a queda fatal de um homem congolês de 27 anos, que morreu ao tentar fugir de uma operação policial no complexo de apartamentos Filanta, em Larnaca, no dia 29 de maio. Outros dois migrantes ficaram feridos ao saltarem da mesma varanda do terceiro andar quando os agentes entraram no prédio para cumprir mandados de prisão e deportação. As organizações Generation for Change CY e Far Right Watch Cyprus emitiram declarações no mesmo dia, exigindo uma investigação "independente, transparente e pública". Elas argumentam que as operações agressivas ao amanhecer e as poucas vias legais disponíveis estão levando migrantes sem documentação a comportamentos cada vez mais arriscados. O episódio remete a mortes semelhantes ocorridas em Limassol em 2024 e em Nicósia em 2025, alimentando acusações de que Chipre prioriza estatísticas de deportação em detrimento da vida humana. A polícia afirma que os agentes seguiram os procedimentos padrão e que não houve uso excessivo da força. Ainda assim, a unidade de assuntos internos do Ministério da Justiça abriu uma investigação preliminar, e o Procurador-Geral pode nomear um investigador externo caso a pressão pública aumente. Advogados de direitos humanos destacam que, como membro da UE, Chipre está obrigado pelo Artigo 2 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos a conduzir uma investigação eficaz em qualquer morte envolvendo agentes do Estado. Para empregadores multinacionais, o caso serve como alerta para que o cumprimento das normas migratórias — incluindo renovações de permissões de residência e notificações de endereço — não seja negligenciado, especialmente para funcionários com salários mais baixos ou terceirizados. Empresas que empregarem migrantes sem documentação válida podem ser multadas em até €500 por funcionário ou até responder criminalmente, além do risco de exposição negativa, especialmente em um ano eleitoral em que a migração é tema central. A implicação política mais ampla é que Chipre pode endurecer as fiscalizações no local de trabalho, ao mesmo tempo em que enfrenta pressão de Bruxelas e da sociedade civil para ampliar os canais de regularização. As equipes de mobilidade devem acompanhar as orientações que serão divulgadas pela Subsecretaria de Migração e estar preparadas para apoiar os funcionários afetados por meio de auditorias de status legal e, quando necessário, assistência humanitária.
Fonte: Philenews