
Dezenas de milhares de manifestantes tomaram as ruas de Roma no sábado, 13 de junho, realizando marchas rivais que evidenciam a crescente divisão da Itália em relação à imigração. De um lado, grupos de direita se reuniram sob o lema “Remigração e Reconquista”, celebrando uma petição popular que reuniu as 50 mil assinaturas necessárias para forçar o debate parlamentar sobre medidas de repatriação em massa. Os participantes entoaram slogans nacionalistas e, em episódios isolados, fizeram saudações fascistas — cenas que alarmaram observadores em toda a Europa. Do outro lado do Tibre, uma coalizão de sindicatos, organizações religiosas e associações de migrantes organizou uma contra-manifestação barulhenta, porém pacífica, exigindo “caminhos regulares, não retornos forçados”. A polícia foi mobilizada em grande número para manter as duas manifestações separadas; não houve relatos de violência, mas o trânsito no centro histórico ficou paralisado por horas, complicando os deslocamentos para aeroportos e o transporte rodoviário. A petição no centro da controvérsia propõe incentivos financeiros e, segundo críticos, táticas coercitivas para persuadir estrangeiros — incluindo alguns residentes legais — a deixarem a Itália. Embora o partido governista Irmãos da Itália não tenha endossado a proposta, não pode ignorá-la sem debate. Equipes de RH que transferem funcionários para a Itália devem acompanhar de perto a agenda parlamentar: analistas acreditam que a proposta, mesmo que suavizada, pode restringir a elegibilidade para renovação de certos vistos de trabalho. Grupos pró-negócios temem que o discurso já esteja desestimulando migrantes qualificados. Dados do Ministério do Trabalho da Itália mostram que as solicitações para o Cartão Azul da UE caíram 12% no primeiro trimestre de 2026, a primeira queda trimestral desde o fim das restrições da pandemia. Empresas de tecnologia em Milão e Turim relatam que candidatos têm desistido antes da emissão do visto, citando um “clima hostil”. Embora as manifestações de sábado tenham caráter simbólico, elas coincidem com a entrada em vigor esta semana do novo Pacto Europeu para Migração e Asilo. A legislação obriga a Itália a processar até 16.032 pedidos de asilo por ano em procedimentos acelerados nas fronteiras. A forma como Roma equilibrará o endurecimento da triagem de asilo com seu objetivo declarado de atrair talentos definirá as estratégias de realocação corporativa nos próximos anos.
Fonte: Associated Press
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