
O centro histórico de Roma se transformou em um campo de batalha de ideias no sábado, 13 de junho, com duas procissões muito diferentes percorrendo a capital. De um lado, milhares de apoiadores da iniciativa cidadã de extrema-direita “Remigração e Reconquista” marcharam carregando bandeiras tricolores, pedindo uma votação parlamentar sobre um projeto de lei popular que pagaria estrangeiros fora da UE para deixarem a Itália e facilitaria as deportações. Os organizadores exibiram as 50 mil assinaturas que obrigam o Parlamento a analisar o texto, entoando slogans como “Primeiro os italianos”, enquanto alguns participantes faziam saudações fascistas. A poucos quarteirões dali, uma coalizão ainda maior de sindicatos, grupos religiosos e associações de migrantes realizou uma marcha colorida em contraponto. Seus cartazes diziam “Pele e suor têm a mesma cor – não às deportações” e denunciavam o “bônus de repatriação” proposto como inconstitucional e economicamente prejudicial para setores como agricultura e cuidados a idosos, que dependem da mão de obra estrangeira. Oradores lembraram que o governo italiano acaba de abrir 500 mil permissões de trabalho legais para 2026-28, para suprir lacunas crônicas de habilidades — uma política que, segundo eles, o projeto comprometeria. A polícia manteve as duas manifestações separadas e não registrou incidentes graves, mas grupos empresariais manifestaram preocupação de que a polarização política possa afetar a confiança dos investidores no mercado de trabalho italiano. Gestores de mobilidade corporativa destacaram que a proposta, se aprovada, poderia complicar transferências internas e patrocínios do Cartão Azul da UE, criando um clima de incerteza para estrangeiros já residentes na Itália. Pela lei italiana, um projeto popular deve receber uma primeira leitura em até um ano, mas analistas acreditam que tem poucas chances de aprovação na forma atual. Ainda assim, o debate coincide com o novo Pacto de Migração e Asilo da UE — implementado em 12 de junho — que reforça a triagem nas fronteiras externas e exige que cada estado-membro aumente as devoluções. Partidos de oposição alertam que o governo pode usar esse contexto para impor regras mais rígidas de residência por decreto, cenário que as multinacionais acompanham de perto. Por enquanto, profissionais de mobilidade recomendam que os expatriados e suas famílias mantenham a documentação de residência atualizada e se preparem para prazos mais longos de processamento na segunda metade de 2026, à medida que a discussão política se intensifica.
Fonte: AP News
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