
Em uma coletiva de imprensa em 28 de julho, a vice-presidente das Ilhas Baleares, Antònia Maria Estarellas, revelou que 11.055 migrantes chegaram ao arquipélago em pequenas embarcações desde 1º de janeiro de 2025 — e que 51% deles desembarcaram na pequena ilha de Formentera. Os dados, compilados pelo ministério regional do interior, mostram uma mudança contínua da rota Argélia-Baleares, que antes passava por Mallorca, agora direcionada para a costa sul de Formentera, menos vigiada. As autoridades locais acusam Madrid de subfinanciar as instalações de acolhimento. O governo das Baleares afirma ter gasto €34 milhões este ano em alojamento emergencial e cuidados médicos, mas recebeu apenas €2 milhões em transferências extraordinárias do Estado. Estarellas alertou que a infraestrutura turística — incluindo hotéis contratados discretamente para abrigar migrantes — pode sofrer ainda mais pressão durante a alta temporada de agosto, quando o tráfego de embarcações costuma atingir o pico. Para os negócios de hotelaria e iatismo, o aumento nas chegadas irregulares traz desafios tanto reputacionais quanto operacionais. Gerentes de hotéis relatam requisições de última hora de quartos vagos por serviços sociais, enquanto operadores de ferry temem que zonas de vigilância marítima mais rigorosas possam atrapalhar os horários comerciais. Seguradoras já estão atualizando alertas de risco para clientes corporativos que enviam funcionários às ilhas. No cenário nacional, os números reforçam a urgência da Espanha em implementar o Pacto da UE sobre Migração e Asilo, que entrou em vigor no mês passado. Pelo mecanismo de solidariedade do pacto, outras comunidades autônomas podem ser solicitadas a realocar parte dos migrantes das Baleares — uma opção bem recebida por autoridades locais, mas que provavelmente enfrentará resistência política em outras regiões. O Ministério do Interior ainda não comentou os dados, mas já afirmou anteriormente que as chegadas irregulares à Espanha caíram 25% em relação ao ano anterior. Líderes das Baleares argumentam que picos regionais exigem recursos específicos, não médias, e solicitaram a criação de uma força-tarefa conjunta com a Frontex para patrulhar o Canal de Ibiza.
Fonte: Cadena SER – Radio Ibiza