
Espanha começou a transferir crianças migrantes não acompanhadas dos centros de acolhimento superlotados das Ilhas Canárias para instalações no continente, mas autoridades regionais exigem garantias legais mais claras antes de ampliar o programa. Em 13 de abril, o governo das Canárias pediu "certeza jurídica completa" para garantir que o plano de redistribuição — viabilizado pela alteração do Artigo 35 da Lei de Imigração no ano passado — prossiga sem contestações judiciais. A primeira transferência, realizada na segunda-feira, envolveu apenas dez menores — pouco mais de 1,2% dos 830 jovens que o Supremo Tribunal ordenou que as autoridades centrais realoquem. Com o limite atual de 40 transferências por semana, as ilhas permaneceriam acima da capacidade até pelo menos janeiro de 2027, prolongando a pressão sobre os orçamentos locais de serviços sociais e sistemas educacionais. Para as comunidades autônomas do continente, aceitar os menores implica garantir vagas escolares extras, cobertura de saúde e equipes especializadas de tutela em curto prazo. Departamentos de RH de empresas que patrocinam projetos de engajamento comunitário ou programas de voluntariado corporativo podem encontrar novas oportunidades de parceria à medida que ONGs ampliam os serviços de apoio nas regiões de destino. A dimensão política é delicada: enquanto Andaluzia e Madrid concordaram em receber os recém-chegados, a Galícia recorreu contra 15 alocações, argumentando que alguns menores "preferem permanecer nas Canárias". Empresas com operações em várias regiões devem acompanhar onde os gastos com proteção infantil — e possíveis impostos para financiá-los — podem aumentar. A longo prazo, as transferências fazem parte da estratégia da Espanha para distribuir as responsabilidades de acolhimento de forma mais equilibrada no país, um modelo que o Ministério do Interior pretende destacar nas próximas negociações da UE sobre o Pacto de Migração e Asilo.
Fonte: Europa Press