
Horas após os eventos mortais em Ceuta, a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni e sua homóloga dinamarquesa Mette Frederiksen lideraram uma carta conjunta — agora assinada por 22 Estados-membros da UE — exigindo um Conselho Extraordinário de Ministros do Interior para elaborar uma “resposta europeia coordenada”. Os signatários elogiam a rápida mobilização das tropas espanholas, mas argumentam que a brecha em Ceuta demonstra a necessidade de um policiamento mais rigoroso das fronteiras externas e de retornos mais ágeis. Também sugerem que a regularização extraordinária planejada pela Espanha para imigrantes indocumentados de longa duração pode funcionar como um atrativo. Paralelamente, a Itália invocou o Artigo 25 do Código de Fronteiras Schengen para suspender a isenção de visto para não europeus que chegam da Espanha por via aérea ou marítima. A partir de 1º de agosto, passageiros de países terceiros desembarcando em Roma, Milão ou Gênova deverão passar por verificações aleatórias de passaporte e visto, acrescentando entre 20 e 40 minutos por chegada, segundo a operadora Aeroporti di Roma. Viajantes a negócios com conexões apertadas devem prever tempo extra; algumas companhias já recomendam o envio antecipado de informações avançadas de passageiros (API) para minimizar filas. O gesto político é simbólico — o acordo Schengen permite a reintrodução temporária de controles internos por até dez dias —, mas cria um precedente que outros países podem seguir caso a Espanha não consiga tranquilizar seus parceiros. Dinamarca, Áustria e Holanda estariam elaborando decretos semelhantes para as fronteiras terrestres com Alemanha e Bélgica. Para empresas multinacionais que rotacionam funcionários entre escritórios europeus, mesmo controles temporários complicam o planejamento de itinerários, o acompanhamento do dever de cuidado e as notificações de trabalhadores destacados. Diplomatas da UE indicam que a videoconferência dos Ministros do Interior pode ocorrer já em 3 de agosto. Entre os temas previstos estão: maior presença da FRONTEX em Ceuta e Melilla; aceleração das negociações de acordos de readmissão com países do Norte da África; e a possível criação de um corredor humanitário financiado pela UE para pessoas com direito a asilo. Qualquer sinal de adiamento ou enfraquecimento do plano espanhol de regularização pode também impactar programas de mobilidade de talentos que usam a Espanha como porta de entrada para profissionais latino-americanos ou africanos no mercado de trabalho europeu. Recomendações para gestores de mobilidade: acompanhar avisos de viagem específicos por país, incluir tempo extra nos itinerários que passam pela Itália e preparar-se para fornecer cartas-convite e comprovantes de acomodação mesmo para viagens dentro do espaço Schengen até que a situação se normalize.
Fonte: Cadena SER
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