
No seu discurso sobre o Estado da União de 2026, proferido no Parlamento Europeu em 16 de setembro, a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, defendeu a criação de um mecanismo ao estilo da NATO que obrigue todos os Estados da UE a consultar-se e a responderem em conjunto quando um membro for alvo de ataques híbridos, como incursões de drones. Ela mencionou incidentes recentes na Alemanha, Dinamarca e Polónia, onde aeronaves não tripuladas, supostamente ligadas à Rússia, sondaram infraestruturas críticas, incluindo um ataque com explosivos abortado num aeroporto regional. Von der Leyen argumentou que a proliferação de ameaças abaixo do limiar de conflito exige um quadro unificado de resposta civil-militar, que vá desde a atribuição conjunta de responsabilidades até medidas coordenadas nas fronteiras. Embora a proposta tenha um foco principalmente na segurança, especialistas em mobilidade alertam que qualquer protocolo contra ameaças híbridas a nível da UE deverá impactar os procedimentos de triagem de passageiros e cargas em aeroportos e pontos de passagem terrestre, especialmente em países da linha da frente como a Polónia. A presidente também confirmou que a Comissão apresentará uma legislação para criar um Conselho Europeu de Segurança, envolvendo parceiros como o Reino Unido, Noruega e Ucrânia. Este órgão poderia harmonizar decisões de controlo fronteiriço em situações de emergência — uma área onde a Polónia tem frequentemente exercido prerrogativas nacionais em resposta às pressões migratórias vindas da Bielorrússia e da Rússia. Para empregadores internacionais, o discurso indica uma maior probabilidade de interrupções no transporte com aviso curto, desencadeadas por alertas de segurança. As equipas de gestão de riscos de viagem devem rever os canais de comunicação em crises e garantir que os colaboradores em missão portem documentos de identificação físicos, já que carteiras digitais podem não ser aceites em controlos ad hoc durante níveis elevados de alerta. Espera-se que o Parlamento Europeu debata a proposta ainda esta semana, com eurodeputados polacos de várias correntes políticas a manifestarem apoio condicionado, desde que sejam incluídas salvaguardas para as liberdades civis.
Fonte: Associated Press