
A Guarda de Fronteira da Polônia (SG) afirma que nenhum migrante indocumentado conseguiu atravessar a fronteira polaco-bielorrussa em setembro, alcançando o que as autoridades chamam de “eficácia de 100%” no mês. Em comunicado divulgado em 11 de outubro, a SG informou que detectou e repelou todas as tentativas de travessia, atribuindo os resultados ao muro de aço de 186 quilômetros concluído no ano passado, às torres com câmeras térmicas, à nova rede de sensores de movimento e às patrulhas conjuntas constantes com o exército e a polícia. Por trás desses números está uma estratégia rigorosa de controle autorizada por legislação de emergência, que permite aos agentes devolver pessoas encontradas entre os postos oficiais sem registrar formalmente um pedido de asilo. Grupos de direitos humanos argumentam que essa prática viola a legislação de asilo da UE, enquanto o Comissário para os Direitos Humanos do Conselho da Europa pediu a Varsóvia que garanta triagens individuais. Por enquanto, o governo insiste que as medidas são legais porque Bielorrússia e Rússia estão “armando a migração” para desestabilizar a fronteira oriental da UE. Para as empresas, a mensagem é dupla. Primeiro, a barreira física e a vigilância eletrônica tornam extremamente difícil a entrada de mão de obra irregular vinda do leste, restringindo ainda mais um mercado de trabalho de baixa qualificação já limitado. Segundo, o governo não demonstra intenção de relaxar o estado de emergência na fronteira; gestores de segurança corporativa devem, portanto, esperar a continuidade da atividade militar e policial na zona fronteiriça, possíveis fechamentos de estradas em torno dos locais de construção das novas torres de sensores e quase nenhuma chance de que cidadãos bielorrussos recebam vistos humanitários na própria linha fronteiriça. Empregadores que precisem de talentos bielorrussos devem encaminhar os candidatos pelos consulados regulares em Grodno ou Minsk e prever mais tempo — as taxas de recusa de vistos para bielorrussos subiram para 18% no terceiro trimestre, segundo a SG. Operadores logísticos, por sua vez, comemoram a queda acentuada no número de incidentes violentos contra motoristas de caminhão em comparação com 2025, mas alertam que as verificações mais rigorosas aumentam o tempo de espera (veja a reportagem sobre filas abaixo). Em resumo, a Polônia está reforçando sua política de fronteira rígida, que continuará a influenciar o planejamento de mobilidade para empresas atuantes na região.
Fonte: Poland-24