
A greve postal na Bélgica, que já dura três semanas, entrou numa nova fase na segunda-feira, 20 de abril, após as negociações de mediação entre a gestão da Bpost e os sindicatos não terem conseguido um avanço. Embora as manchetes se concentrem nos atrasos nas entregas de encomendas domésticas, o impacto nos programas de mobilidade corporativa está a tornar-se cada vez mais grave: milhares de cartões de residência biométricos, aprovações de autorizações de trabalho do Anexo 46 e cartas de decisão para reunificação familiar estão retidos nos centros de triagem em Bruxelas e Valónia. Segundo o representante sindical Luc Tegethoff (VSOA Post), menos de 20% das rotas de entrega funcionaram na capital na última sexta-feira; na segunda-feira, o número estava “praticamente a zero”. Os centros de distribuição em Liège e Charleroi estão supostamente congestionados com correspondência registada não entregue, o canal pelo qual as autoridades regionais enviam autorizações de trabalho originais e o Escritório de Imigração despacha documentos anexos que os estrangeiros precisam para levantar os cartões de residência nas juntas de freguesia locais. Na Flandres, os níveis de serviço são melhores — cerca de 85% — mas mesmo aí os distritos empresariais em torno de Ghent e Antuérpia enfrentam atrasos de três dias. Para os empregadores, a perturbação traduz-se em adiamentos de datas de início e complicações de conformidade. Estrangeiros que já chegaram com vistos D não podem concluir o registo municipal sem a carta de decisão física que comprova a concessão da autorização combinada de trabalho e residência. Quem está no estrangeiro pode ter de reagendar as marcações para vistos, pois os consulados belgas exigem a aprovação original carimbada para emitir vistos de longa duração. Algumas empresas começaram a usar serviços de courier privados para recolher cartas diretamente nos escritórios provinciais de imigração, mas a capacidade é limitada e os custos estão a aumentar. A gestão da Bpost afirma ter oferecido implementar gradualmente mudanças nos turnos de fim de semana e nas tabelas salariais, mas os sindicatos argumentam que a proposta carece de garantias quanto à carga de trabalho e segurança no emprego. O governo federal até agora recusou-se a intervir, embora o Ministério do Interior tenha admitido que “a correspondência governamental essencial” está a ser atrasada. Se não for alcançado um acordo esta semana, a Bpost alerta que poderá ter de priorizar o envio de materiais médicos e eleitorais, empurrando ainda mais para baixo na fila os documentos de imigração. Os gestores de mobilidade global devem aconselhar os colaboradores a portar comprovativos de receção de pedidos e, sempre que possível, reservar dias extras de Schengen no seguro de viagem. As juntas de freguesia começaram a aceitar cópias digitais das cartas de aprovação como medida temporária, mas apenas se o empregador puder fornecer um código de rastreamento que comprove que o original está a caminho. Com a época de contratações de verão na Bélgica a aproximar-se, muitos receiam que este impasse possa tornar-se a disputa postal mais disruptiva para os intervenientes em mobilidade desde 2018.
Fonte: The Brussels Times
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