
As manifestações do Dia Internacional do Trabalhador, nos dias 1 e 2 de maio, reuniram milhares de pessoas nas ruas da Suíça e colocaram a política de imigração em destaque. Só em Genebra, cerca de 3.000 manifestantes cruzaram a ponte Mont-Blanc carregando faixas com os dizeres "Defendam os salários, não as fronteiras" e "Não à iniciativa de extrema-direita", em referência à proposta do SVP para limitar a população, que será submetida a referendo em 14 de junho. A polícia não registrou distúrbios. Oradores da federação sindical USS alertaram que limitar a população a 10 milhões "descapitalizaria" setores que dependem de mão de obra estrangeira, desde a construção até o cuidado domiciliar. Eles também associaram a iniciativa ao sentimento anti-imigrante mais amplo na Europa e pediram aos eleitores que rejeitassem o que chamaram de "falsa solução" para os gargalos habitacionais e de transporte. Mensagens semelhantes ecoaram na Helvetiaplatz, em Zurique, e em Basileia, onde trabalhadores transfronteiriços da França e da Alemanha participaram das marchas. Para os diretores de RH, os protestos vão além do simbólico. Líderes sindicais indicaram que, caso a iniciativa seja aprovada, exigirão medidas compensatórias, como a obrigatoriedade da cobertura por acordos coletivos de trabalho para trabalhadores destacados e inspeções mais rigorosas contra a prática de dumping salarial. Isso pode aumentar os custos de conformidade para contratos de curta duração e terceirizações na Suíça. As manifestações também serviram como um ensaio para os serviços de segurança antes da cúpula do G7 na França, no próximo mês, quando ativistas antiglobalização devem se reunir novamente em Genebra. As autoridades cantonais estão considerando restrições temporárias a grandes aglomerações e solicitaram que os principais empregadores atualizem seus planos de continuidade de negócios e sistemas de notificação de funcionários em caso de interrupções no transporte. Embora os desfiles do Dia do Trabalho sejam uma tradição no calendário político suíço, a coincidência deste ano com o referendo sobre imigração trouxe uma urgência incomum. Com as pesquisas ainda voláteis, os gestores de mobilidade devem acompanhar como o tom do debate público — agora altamente visível nas ruas — pode influenciar a dinâmica das urnas e, por consequência, o futuro ambiente regulatório para a entrada de talentos na Suíça.
Fonte: SWI swissinfo.ch