
As tensões diplomáticas entre Brasília e Washington reacenderam na terça-feira (5 de maio), quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva se reuniu com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, antes de sua viagem aos Estados Unidos ainda esta semana. O encontro ocorre apenas duas semanas após o Brasil, invocando o princípio da reciprocidade, revogar as credenciais de um oficial de ligação militar dos EUA destacado no país. A medida veio após a decisão de Washington de retirar o delegado da Polícia Federal brasileira Marcelo Ivo de sua função no Departamento de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE). Embora nenhum dos lados tenha vinculado explicitamente as expulsões a questões de vistos, autoridades e analistas as veem como desdobramentos da disputa mais ampla sobre a exigência de visto reinstaurada pelo Brasil para cidadãos dos EUA, Canadá e Austrália, em vigor desde abril de 2025. Os Estados Unidos ainda não adotaram a reciprocidade, e as negociações para procedimentos de entrada simplificados para viajantes a negócios estão paralisadas. As medidas de retaliação levantam preocupações práticas para multinacionais que rotacionam funcionários da indústria de defesa e consultores de segurança entre os dois países. Empresas relatam atrasos na obtenção de vistos A-2/B-1 para viagens relacionadas ao governo e inspeções secundárias mais rigorosas nos aeroportos. A empresa de gestão de riscos em viagens International SOS aconselha seus clientes a considerar um acréscimo de três a cinco dias úteis nos prazos de deslocamento até que a disputa se acalme. Segundo diplomatas seniores, o tema estará na pauta quando Lula se encontrar com o presidente Donald Trump em Washington, no dia 7 de maio. Autoridades brasileiras querem que os EUA restabeleçam a função no ICE e concordem com um programa piloto que permita a viajantes frequentes de negócios de ambos os países usar quiosques automatizados nas fronteiras. Observadores esperam ao menos um gesto simbólico — como a reemissão das credenciais revogadas — antes do fim do ano, especialmente considerando os profundos laços comerciais entre as nações. Até lá, gestores de mobilidade corporativa devem acompanhar a situação de perto e manter os viajantes afetados informados sobre possíveis fiscalizações nos pontos de entrada.
Fonte: Correio Braziliense