
A rede da sociedade civil Progetto Melting Pot Europa entrou com uma ação coletiva no Tribunal Administrativo Regional do Lácio (TAR) contra os atrasos “sistêmicos e intoleráveis” dos consulados italianos na emissão de vistos de entrada para reunificação familiar. A ação, protocolada em 12 de junho e com audiência marcada para 7 de julho, é dedicada à memória de Annick, uma mulher marfinense que faleceu antes de seu visto ser processado. Os autores argumentam que os prazos de espera frequentemente ultrapassam o limite de 90 dias previsto no artigo 5º do Código Consolidado de Imigração, citando dados de 2026 dos consulados de Roma, Milão e Nairóbi, onde o processamento chegou a 14 meses. Eles comparam o modelo terceirizado da Itália com o sistema totalmente interno da Suécia, destacando que na Suécia os agendamentos são feitos diretamente e gratuitamente, enquanto os requerentes italianos muitas vezes pagam taxas a terceiros sem garantia de vaga. Caso a ação seja bem-sucedida, o tribunal poderá determinar que o Ministério das Relações Exteriores elimine os atrasos dentro de prazos fixos e indenize os requerentes cujo direito fundamental à unidade familiar foi violado — um precedente que impactaria também os trabalhadores transferidos por empresas que buscam vistos para dependentes. Os empregadores acompanham o caso de perto: a demora na emissão de vistos para cônjuges é uma das principais razões para que funcionários expatriados recusem transferências para a Itália, segundo a Pesquisa de Mobilidade 2026 da EY. As equipes de RH devem revisar os cronogramas de realocação e considerar soluções temporárias, como vistos Schengen C para estadias curtas, até que o cenário legal se esclareça. O Ministério das Relações Exteriores não se manifestou publicamente, mas fontes internas apontam para recentes alocações orçamentárias que preveem aumento de 8% no quadro consular em 2027, condicionado a reformas nos processos digitais.
Fonte: Progetto Melting Pot Europa