
A Índia levantou discretamente a suspensão de 22 meses dos vistos de turista para cidadãos de Bangladesh — uma medida que havia se tornado um grande entrave nas relações bilaterais e um obstáculo para o corredor comercial de pessoas no valor de US$ 9 bilhões, pelo qual normalmente mais de 1,7 milhão de bengaleses cruzam a fronteira anualmente. O avanço foi anunciado em Daca no dia 25 de junho pelo novo Alto Comissário da Índia, Dinesh Trivedi, minutos após apresentar suas credenciais ao presidente Mohammed Shahabuddin. Falando no Centro de Solicitação de Vistos Indiano, Trivedi informou que os agendamentos online para vistos turísticos padrão serão abertos em 26 de junho, e os primeiros passaportes serão carimbados em 28 de junho. Cinco centros — em Daca, Chattogram, Rajshahi, Khulna e Sylhet — atenderão a demanda inicial, com a reabertura de mais unidades prevista para “as próximas semanas”. Os vistos turísticos foram suspensos em agosto de 2024, em meio a agitação política em Bangladesh e um esfriamento diplomático que também levou Daca a restringir vistos para cidadãos indianos. Embora Bangladesh tenha restabelecido a maioria das categorias de visto em fevereiro de 2026, a Índia continuou limitando a entrada a viajantes médicos e de negócios, criando um mercado negro de vistos e obrigando famílias a fazer rotas alternativas por terceiros países. Hotéis, hospitais privados em Calcutá e Chennai, e comerciantes no corredor leste da Índia relataram perdas de receita de dois dígitos. A reabertura desse fluxo restabelece um elo crucial de mobilidade para duas economias que compartilham a quinta fronteira terrestre mais movimentada do mundo. Para as empresas indianas, isso significa que o tráfego corporativo poderá novamente combinar inspeções em fábricas com roteiros de lazer, e os prestadores de serviços de turismo médico poderão retomar pacotes integrados de tratamento e turismo. A decisão também deve aliviar as pressões da migração informal, oferecendo aos bengaleses uma via legal para visitas de curta duração, apoiando assim a agenda mais ampla de gestão de fronteiras de Nova Délhi. Na prática, os viajantes devem esperar prazos maiores para agendamento enquanto o quadro de funcionários é ampliado. Empresas de facilitação de vistos recomendam completar a solicitação online e pagar as taxas antes de reservar um horário no centro, além de aconselhar os viajantes médicos a manterem documentos comprobatórios à mão caso a disponibilidade de vagas se torne limitada durante o pico inicial. Empregadores indianos que recebem clientes bengaleses foram orientados pela Federação das Câmaras de Comércio e Indústria da Índia (FICCI) a considerar um prazo de processamento de 10 dias até que os volumes se normalizem.
Fonte: The Print
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