
Na terça-feira, o plenário da câmara baixa da Espanha iniciou as discussões sobre dois projetos de lei de segurança cidadã, sendo o mais polêmico, apresentado pelo partido de direita Vox, que propõe alterar a Lei Nacional de Defesa de 2005 para classificar a imigração irregular como uma ameaça que pode justificar o uso das forças militares. O Vox argumenta que a posição geoestratégica da Espanha a coloca na linha de frente e que o afluxo de mais de 11 mil migrantes em Ceuta, em julho, revelou os limites da atuação policial civil. O projeto determina que o governo crie uma unidade militar de reação rápida dedicada à proteção das fronteiras externas, autoriza a Marinha a realizar operações de “empurrão” em águas territoriais e obriga as autoridades regionais a entregarem quaisquer migrantes interceptados às forças armadas. A coalizão de esquerda Sumar contrapropôs imediatamente restrições mais rigorosas ao investimento imobiliário especulativo, além de denunciar o projeto do Vox como inconstitucional. Autoridades do Ministério do Interior informaram ao parlamento que as operações atuais da Guardia Civil e da Polícia Nacional, apoiadas por recursos da Frontex da UE, já oferecem uma resposta “adequada e proporcional”. A ministra da Defesa, Margarita Robles, alertou que a mistura das funções militares e policiais pode violar as regras da UE e da OTAN sobre a primazia civil. Para equipes de mobilidade global, o episódio é um termômetro do endurecimento da política espanhola sobre migração após a crise de Ceuta. Mesmo que o projeto tenha pouca chance de ser aprovado na forma atual, qualquer futura militarização das fronteiras implicaria obrigações rigorosas para empresas que enviam funcionários aos enclaves espanhóis ou atuam no Mediterrâneo Ocidental. O debate continuará em comissões na próxima semana, com expectativa de emendas significativas ou rejeição total. As empresas devem acompanhar o calendário legislativo, pois mudanças repentinas na gestão das fronteiras espanholas podem alterar procedimentos de entrada, rotas para vistos humanitários e a intensidade da fiscalização em centros logísticos estratégicos.
Fonte: RTVE
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