
Itália aproveitou a visita oficial do ministro do Interior do Paquistão, Mohsin Naqvi, para anunciar uma cota de migração laboral direcionada que permitirá a 10.500 profissionais paquistaneses obter vistos de trabalho italianos durante o ano de cotas de 2026. O ministro do Interior, Matteo Piantedosi, confirmou que as vagas serão retiradas do sistema decreto-flussi e reservadas para setores com escassez aguda, como logística, construção, hotelaria e cuidados a idosos. Os candidatos paquistaneses seguirão o procedimento comum de nulla osta, mas contarão com listas de empregadores pré-verificadas e processamento em lotes negociados entre os dois governos. Autoridades em Roma destacaram que o canal bilateral visa reduzir as rotas irregulares de migração pelos Bálcãs. Em contrapartida, o Paquistão concordou em acelerar a readmissão de seus nacionais encontrados em situação irregular na Itália e intensificar investigações conjuntas contra redes de contrabando. O memorando também garantirá acesso sem visto para portadores de passaportes diplomáticos paquistaneses, após ratificação parlamentar. Para os empregadores italianos, o programa oferece uma previsibilidade rara: as inscrições abrirão em um dia específico de maio, e os escritórios de trabalho (SUI) se comprometeram a emitir os certificados nulla osta em até 30 dias, contra o limite legal de 90 dias. Os consulados paquistaneses organizarão centros biométricos temporários em Lahore, Karachi e Islamabad para reduzir filas de agendamento. Gestores de mobilidade corporativa devem começar a reunir os documentos de patrocínio imediatamente. A experiência com cotas específicas para nacionalidades anteriores (ex.: Bangladesh 2024) indica que a cota eletrônica pode se esgotar em minutos. Empresas que perderem essa janela terão que aguardar a rodada geral de cotas mais tarde no ano, quando a concorrência é muito maior. Além do alívio imediato na contratação, o acordo sinaliza uma mudança mais ampla rumo a corredores bilaterais de talentos integrados na arquitetura migratória regular da Itália. Observadores esperam acordos semelhantes com Tunísia e Filipinas antes do ciclo de cotas de 2027, refletindo a estratégia do governo de “caminhos legais em troca de fiscalização”.