
Os gargalos crônicos do programa decreto flussi da Itália ficaram evidentes em Bérgamo no dia 25 de fevereiro, quando dados provinciais revelaram que apenas 23 autorizações de residência foram concedidas entre 3.196 pedidos submetidos durante os click-days de 2025 — uma taxa de conversão de 0,7%. Sindicatos e associações patronais disseram ao Corriere Bergamo que os números confirmam uma “disfunção sistêmica” em um mecanismo que deveria conectar trabalhadores estrangeiros às carências locais de mão de obra. A província já havia registrado um colapso na demanda: os pedidos caíram 62%, de 8.381 em 2024, após muitos empregadores perderem a confiança de que a burocracia resultaria em contratações efetivas. Mesmo quando as autorizações de trabalho nulla osta são emitidas (539 em 2025), a maioria dos candidatos não consegue superar as etapas seguintes — agendamento em embaixadas, vistos de entrada e assinatura de contratos — antes da expiração dos documentos. Empresas dos setores de cuidados e construção relatam perder candidatos para outros países da UE com processos mais ágeis. Representantes locais da CISL e CGIL argumentam que o procedimento em várias etapas incentiva o trabalho informal; os trabalhadores podem entrar legalmente, mas acabam em situação irregular quando os contratos não se concretizam. Eles pedem a criação de uma autorização de residência para busca de emprego ou uma conversão rápida para status regular caso um novo empregador seja encontrado em até seis meses. Representantes da indústria da Confindustria Bérgamo apoiam o diagnóstico dos sindicatos, acrescentando que o aumento das cotas é inútil sem reforma administrativa. Apontam para projetos-piloto que pré-qualificam candidatos nos países de origem — uma abordagem que a Itália começou a testar na Etiópia e no Egito — como um modelo mais realista. Para equipes multinacionais de RH, a lição é clara: a menos que a empresa consiga gerenciar todo o processo de patrocínio, depender das cotas genéricas do decreto flussi continua sendo um risco elevado. Caminhos alternativos, como transferências intraempresariais ou o Cartão Azul da UE, recentemente simplificado, podem oferecer prazos melhores, apesar dos requisitos salariais mais altos.
Fonte: Corriere Bergamo