
A partir de 1º de maio, o acordo provisório de comércio e cooperação entre a UE e o bloco Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) entra em vigor provisoriamente. Embora seja apresentado principalmente como um acordo para redução de tarifas — 91% dos impostos sobre os €1,9 bilhões do comércio anual entre Áustria e Mercosul desaparecerão da noite para o dia — ele também inclui um capítulo dedicado à mobilidade, que simplifica viagens de negócios de curta duração. Executivos austríacos que participam de feiras comerciais ou instalações pós-venda em São Paulo ou Montevidéu se beneficiarão de listas simplificadas de isenção de visto, reconhecimento mútuo de cartões de viajantes confiáveis no estilo APEC e uma permissão de 90 dias para “fornecedores de serviços contratuais”. O pacto obriga os países do Mercosul a publicarem procedimentos de visto transparentes em inglês dentro de seis meses e a emitirem vistos de múltiplas entradas de longa duração para especialistas técnicos da UE em até cinco dias úteis. Para multinacionais austríacas dos setores de máquinas, processamento de alimentos e tecnologia verde, o momento é oportuno: o Brasil sediará duas grandes exposições industriais no terceiro trimestre, e os gestores de viagens agora podem planejar deslocamentos sem os prazos consulares de duas a três semanas que antes eram necessários. A Câmara Econômica Austríaca (WKÖ) estima que a redução da burocracia nas movimentações de pessoal pode economizar até €6 milhões por ano em taxas de legalização e courier para exportadores. No entanto, as empresas devem ficar atentas à implementação local. Sindicatos na Argentina alertaram que as disposições para fornecedores de serviços podem prejudicar empregos domésticos, aumentando o risco de atrasos administrativos. Por isso, as equipes de compliance são aconselhadas a manter cópias das cartas-convite e a monitorar os sites dos consulados para eventuais limites de cotas ou gargalos na marcação de atendimentos nos primeiros meses de aplicação.