
O partido de extrema-direita belga Vlaams Belang apresentou uma proposta radical para transformar o Aeroporto Internacional de Ostende-Bruges numa “plataforma de retorno” dedicada à deportação de migrantes em situação irregular. O líder do partido, Tom Van Grieken, anunciou o plano durante uma reunião de emergência em Ostende, a 13 de junho, argumentando que a política migratória da Bélgica é “ineficaz” sem remoções sistemáticas. O conceito prevê um centro de retorno fechado junto ao aeroporto, onde os migrantes com ordem final de saída seriam detidos até haver lugares disponíveis em voos charter organizados para os países de origem ou para países terceiros seguros com acordos de readmissão. Van Grieken citou pesquisas que indicam que 76,6% dos cidadãos flamengos apoiam medidas de deportação mais rigorosas e acusou a coligação federal de atrasar a implementação do novo Pacto de Migração e Asilo da UE. Embora a proposta não tenha força legal, é provável que ganhe destaque no debate eleitoral de 2027 e pressione os partidos tradicionais a endurecerem suas próprias estratégias de retorno. ONGs de direitos humanos condenaram imediatamente a proposta, alertando que a detenção em larga escala perto de um aeroporto civil pode violar os padrões da UE sobre privação de liberdade e prejudicar a imagem internacional da Bélgica. Para os empregadores, o anúncio sinaliza um aumento do apetite político por uma aplicação mais rigorosa, o que pode resultar na emissão mais rápida de ordens de saída e numa abordagem mais agressiva nas inspeções laborais. Empresas que empregam cidadãos não pertencentes à UE — especialmente aqueles com permissões expiradas — devem esperar maior fiscalização e revisar seus processos internos de conformidade, incluindo auditorias de direito ao trabalho e registro das datas de saída. As autoridades locais de Ostende ainda não se pronunciaram, mas operadores do aeroporto manifestaram preocupações em privado sobre a delimitação de zonas de segurança, o impacto do ruído dos voos de deportação noturnos e o possível dano à reputação, que poderia afastar o tráfego de carga e turismo. Caso a ideia ganhe força, os programas de mobilidade poderão ter que ajustar os horários dos voos e lidar com o aumento da atenção mediática às operações de repatriação que passam pela Bélgica.
Fonte: The Brussels Times
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