
O programa extraordinário de regularização de dois meses e meio da Espanha terminou à meia-noite de 30 de junho de 2026, encerrando a maior campanha de legalização do país desde 2005. Lançado em 15 de abril, o esquema permitia que estrangeiros em situação irregular, que comprovassem residência contínua na Espanha desde antes de 1º de janeiro de 2026 e que não tivessem antecedentes criminais, solicitassem uma autorização de residência e trabalho renovável por um ano. Segundo o Ministério da Inclusão, Segurança e Migração, até as 18h de terça-feira, foram registradas 1,04 milhão de solicitações eletrônicas — o dobro dos 500 mil beneficiários previstos inicialmente quando a medida foi anunciada em janeiro. Os escritórios regionais de estrangeiros ampliaram o horário de atendimento e abriram em alguns sábados para atender à demanda de última hora, enquanto as prefeituras emitiram mais de 200 mil certidões históricas de padrón (censo) só na última semana, para que os candidatos comprovassem o tempo de residência. A regularização tem grande impacto no mercado de trabalho. O think tank econômico Funcas estima que formalizar o status de mais de um milhão de trabalhadores pode aumentar o PIB da Espanha em 0,4 ponto percentual em 2026, ao ampliar a base contributiva da seguridade social e reduzir a economia informal. A CEOE, federação patronal que defendeu a medida, argumenta que o acesso legal às autorizações de trabalho ajudará a suprir a falta de mão de obra na construção civil, hotelaria e cuidados a idosos, sem a necessidade de recrutamento caro no exterior. Para empresas que enviam funcionários à Espanha ou dependem de talentos migrantes, as novas permissões trazem segurança: os titulares têm plenos direitos trabalhistas, podem mudar de empregador após seis meses e se registrar no sistema de seguridade social. Advogados especializados em imigração, porém, alertam que o tempo de processamento pode se estender até o início de 2027, caso o quadro de funcionários dos escritórios de estrangeiros não seja mantido. Os candidatos que entregaram os documentos completos antes do prazo mantêm o direito de trabalhar enquanto seus processos são analisados. Embora o Partido Popular, oposição, tenha criticado a anistia como um “fator de atração” para a migração irregular, pesquisas indicam 58% de aprovação popular, e o governo de coalizão minoritário sinalizou que o programa pode servir de modelo para futuras regularizações direcionadas, vinculadas a carências no mercado de trabalho.
Fonte: Agencia EFE
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