
O governo da Finlândia juntou-se ao crescente grupo de Estados-membros da União Europeia que exigem uma videoconferência extraordinária dos ministros do Interior, após a travessia em massa da fronteira terrestre de Marrocos com a exclave espanhola na África do Norte, Ceuta, que deixou pelo menos 67 mortos e centenas de feridos em 31 de julho. Em uma carta conjunta divulgada pelo gabinete do primeiro-ministro da Dinamarca no sábado, 19 Estados-membros — incluindo Finlândia, Itália, Dinamarca e Alemanha — pedem à presidência irlandesa do Conselho da UE que convoque a reunião “sem demora” para revisar a gestão espanhola do incidente e avaliar possíveis medidas temporárias de controlo fronteiriço dentro do espaço Schengen. Embora Ceuta esteja fora do espaço Schengen, os signatários argumentam que as travessias massivas descontroladas podem criar a percepção de que a entrada ilegal num Estado-membro pode levar à permanência legal noutro. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, foi além, anunciando a reimposição imediata de controlos nas fronteiras aéreas e marítimas para viajantes provenientes de Espanha e ameaçando suspender o acordo de Schengen com Madrid por até 30 dias. Os ministros da Dinamarca e da Finlândia apoiaram controlos mais rigorosos, mas não chegaram a apoiar uma suspensão total, pedindo em vez disso “controlos proporcionais e temporários” caso Espanha não demonstre uma gestão credível das fronteiras. Para a Finlândia, o episódio é politicamente sensível. Helsínquia passou grande parte do último ano a reforçar a sua fronteira de 1.343 quilómetros com a Rússia, após ondas de entradas irregulares que acusa Moscovo de orquestrar. Autoridades do Ministério do Interior afirmaram que a tragédia de Ceuta reforça a necessidade de “proteção robusta das fronteiras externas e solidariedade entre os Estados-membros”, mas acrescentaram que quaisquer controlos internos no espaço Schengen devem permanecer “excecionais e estritamente temporários”, conforme exige a legislação da UE. Atualmente, a Finlândia não tem controlos internos em vigor, mas mantém autoridade legal de emergência para os restabelecer rapidamente. Os setores ligados a viagens de negócios acompanham a situação de perto. Uma suspensão prolongada do espaço Schengen entre grandes centros como Madrid e Milão — ou um efeito dominó mais amplo — poderia trazer de volta filas para passaportes, exigências de informação antecipada de passageiros e multas por responsabilidade das transportadoras, lembrando a era da pandemia. Empresas multinacionais sediadas na Finlândia que dependem da circulação fluida de pessoal pela Europa já aconselham os funcionários a reservar tempo extra ao fazer conexões em aeroportos espanhóis ou italianos e a manter cópias físicas de contratos de trabalho ou cartas de missão para eventuais controlos surpresa. A presidência do Conselho da UE ainda não marcou data para a videoconferência, mas fontes em Bruxelas indicam que as discussões podem ocorrer no início da próxima semana. Espera-se que diplomatas finlandeses defendam um compromisso que combine apoio de emergência a Espanha — incluindo equipas de reação rápida da Frontex — com critérios claros e uma cláusula de término para quaisquer fronteiras internas reintroduzidas. Independentemente do desfecho, o episódio serve como lembrete de que, mesmo após quase quatro décadas, o projeto Schengen continua vulnerável a choques migratórios súbitos — e que a Finlândia, agora um Estado de linha de frente nas fronteiras externas após aderir à NATO, tem interesse direto em garantir que as regras sejam respeitadas e resilientes.
Fonte: Associated Press
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