
Após semanas de intensos embates parlamentares, a Câmara dos Deputados concedeu ao governo, em 23 de abril, um voto de confiança (203 a favor, 117 contra) ao Decreto de Segurança — uma lei abrangente que endurece as regras para o porte de facas e introduz incentivos para estimular o retorno voluntário assistido de migrantes irregulares. A cláusula mais polêmica, o Artigo 30-bis, prevê o pagamento de €615 a advogados que convencerem seus clientes a aceitar a repatriação, uma medida criticada pela ordem dos advogados como um ataque à independência profissional. Para evitar um veto presidencial, o Palazzo Chigi prometeu um ‘decreto bis’ a ser discutido na reunião do gabinete na sexta-feira, em Montecitorio. Segundo rascunhos obtidos pelo Il Tempo, o texto corretivo ampliará a elegibilidade do bônus para operadores de ONGs e mediadores culturais, além de desvincular o pagamento da saída efetiva do migrante — ações que visam neutralizar as acusações de caça a recompensas. Fontes indicam ainda que a implementação será postergada para um regulamento ministerial posterior, adiando a medida para depois do verão. O vice-ministro Alfredo Mantovano garantiu que “o dinheiro está disponível” e apresentou o incentivo como um apoio burocrático comparável à assistência para declaração de impostos. No entanto, técnicos orçamentários alertam que ampliar o grupo de beneficiários pode elevar os custos além dos atuais €8 milhões previstos no decreto. Caso surjam lacunas de financiamento, o Tribunal de Contas pode bloquear as autorizações de gasto, atrasando todo o programa de retorno voluntário. Para empregadores que dependem de talentos fora da UE, o episódio evidencia como reações políticas podem rapidamente alterar as ferramentas migratórias. As equipes de RH responsáveis por realocações ou repatriações ao fim de contratos não devem contar com a facilitação de €615 ainda este ano. Advogados especializados em imigração também devem acompanhar o decreto bis para verificar se o incentivo poderá ser combinado com os programas de Retorno Voluntário Assistido (RVA) financiados pela UE e já geridos pelos escritórios da OIM na Itália.
Fonte: Il Tempo
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