
O mais recente decreto de segurança da Itália gerou controvérsia jurídica e política ao propor um pagamento de €615 para advogados de imigração por cada cliente que aceite a “repatriação voluntária”. O incentivo, incluído como uma emenda apoiada pela coalizão governista, tem como objetivo acelerar os retornos e aliviar a pressão sobre os centros de acolhimento. No entanto, críticos afirmam que a medida compromete a relação entre advogado e cliente e pode violar garantias constitucionais de defesa igualitária. O gabinete do presidente Sergio Mattarella confirmou em 20 de abril que o chefe de Estado está analisando a disposição antes de sancionar o decreto. Embora a presidência raramente bloqueie legislações, pode solicitar alterações caso as medidas conflitem com princípios constitucionais — especialmente o Artigo 24, que protege o direito à defesa. Associações jurídicas, incluindo o Conselho Nacional da Ordem dos Advogados, alertam que o bônus baseado em desempenho pode transformar a defesa em uma “persuasão paga pelo Estado”, incentivando advogados a direcionar migrantes vulneráveis para o retorno, independentemente dos méritos do caso. Partidos de oposição aproveitaram a polêmica para acusar a primeira-ministra Giorgia Meloni de usar incentivos financeiros para inflar os números de deportações após a derrota do governo no referendo sobre reforma judicial em março. Para gestores de mobilidade global, o episódio indica que o quadro migratório italiano continua instável. Clientes corporativos que empregam nacionais de terceiros países via transferência intraempresa ou Cartão Azul da UE devem ficar atentos a possíveis emendas que acelerem a análise — ou rejeição — de casos humanitários ou de status irregular. Qualquer efeito inibidor sobre advogados de asilo também pode aumentar o risco de litígios para empregadores que patrocinam conversões de permissões de trabalho a partir do status de requerente de asilo. Caso o bônus sobreviva à análise parlamentar, o Ministério do Interior planeja limitar os pagamentos a €3 milhões anuais, financiados por economias geradas pela redução da ocupação nos centros de detenção. A aprovação final é necessária até 25 de abril, deixando pouco tempo para revisões e abrindo caminho para um possível impasse institucional.
Fonte: ANSA
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