
Após um mandato parlamentar de dois anos, o Conselho Federal divulgou seu tão aguardado estudo de viabilidade sobre uma “taxa de imigração” — uma cobrança de entrada que os recém-chegados pagariam ao estabelecer residência na Suíça. O relatório de 40 páginas analisa três modelos, que vão desde uma taxa fixa até uma cobrança progressiva vinculada à renda. O governo conclui que todos, exceto um, exigiriam uma emenda constitucional e quase certamente violariam o Acordo Bilateral de Livre Circulação de Pessoas entre a Suíça e a UE. A única versão que poderia resistir a um desafio judicial é uma taxa modesta, baseada em incentivos, cujas receitas seriam redistribuídas para famílias e empresas. No entanto, mesmo essa opção não apresenta “benefícios macroeconômicos demonstráveis”, segundo os responsáveis, e pode prejudicar os esforços da Suíça para atrair mão de obra qualificada em setores com escassez. Gestores de mobilidade corporativa temiam que uma taxa de imigração complicasse a contratação de expatriados e atrasasse o início das atividades dos transferidos. O relatório divulgado na quinta-feira elimina essa incerteza. O Conselho Federal não vê motivos para avançar com o trabalho legislativo e recomenda que o Parlamento arquive o tema. Para os empregadores multinacionais, a mensagem é clara: a Suíça mantém seu compromisso com políticas de imigração abertas e baseadas em competências, além de respeitar seus acordos com a UE. Assim, os departamentos de RH podem seguir com os planos de realocação para 2026/27 sem prever custos adicionais com essa taxa para funcionários estrangeiros. Observadores políticos, no entanto, esperam que o nacionalista Partido Popular Suíço mantenha a ideia em pauta até as eleições federais de 2027, o que significa que as equipes de mobilidade devem continuar acompanhando o assunto.