
A Agência de Saúde Pública do Canadá (PHAC) invocou a Lei de Quarentena para impedir que a maioria dos estrangeiros que estiveram na República Democrática do Congo (RDC) nos últimos 21 dias embarquem em voos para o Canadá ou entrem no país. A medida emergencial — que entrará em vigor às 23h59 (horário de Brasília) do dia 20 de julho de 2026 — foi tomada após a confirmação de um surto crescente de Ebola centrado na região leste da RDC. A restrição vale para companhias aéreas comerciais e privadas, além de portos terrestres e marítimos, e permanecerá em vigor por pelo menos 30 dias. Cidadãos canadenses, residentes permanentes e pessoas reconhecidas como protegidas ainda poderão entrar no país, mas deverão passar por triagem reforçada e estar preparados para se autoisolar e monitorar sintomas. Trabalhadores humanitários e médicos que retornam da região serão processados por protocolos específicos que equilibram as medidas de saúde pública com a necessidade de rápida mobilização da ajuda. O governo também suspendeu o processamento de vistos de residência temporária, autorizações eletrônicas de viagem (eTAs) e vistos de residência permanente para viajantes afetados enquanto a proibição estiver em vigor. Para empresas multinacionais, a restrição tem impacto imediato nas políticas de dever de cuidado e no planejamento de mobilidade. As equipes de segurança corporativa devem verificar o histórico recente de viagens de funcionários, contratados e familiares com destino ao Canadá, além de atualizar os fluxos de aprovação de itinerários para evitar descumprimentos involuntários. Organizações dos setores de mineração, energia e desenvolvimento que realizam rotações de pessoal por Kinshasa, Goma ou províncias vizinhas precisam considerar prazos maiores para troca de equipes e avaliar opções de quarentena em terceiros países caso viagens essenciais não possam ser adiadas. Advogados especializados em imigração ressaltam que a medida não afeta processos já em andamento, mas suspende novas solicitações de residentes da RDC e de estrangeiros que tenham visitado o país. Empregadores que utilizam o Global Talent Stream ou outras vias aceleradas para permissões de trabalho devem buscar fontes alternativas para evitar atrasos em projetos. Gestores de mobilidade também são aconselhados a acompanhar as diretrizes provinciais de saúde pública, que podem impor exigências adicionais de triagem ou isolamento nos locais de trabalho. A proibição de viagens devido ao Ebola reforça a prontidão do Canadá em usar controles fronteiriços para gerenciar ameaças à saúde pública — mesmo quando o risco interno é considerado baixo. Restrições semelhantes foram aplicadas durante o surto de Ebola na África Ocidental em 2014 e, mais recentemente, nos estágios iniciais da pandemia de COVID-19. A PHAC revisará a situação epidemiológica semanalmente; a ordem pode ser revogada, estendida ou ampliada para outros países, se necessário.