
Às 03h01 do dia 6 de abril – exatamente cem anos após o primeiro voo da Deutsche Luft Hansa de Berlim-Tempelhof para Zurique – a Lufthansa deu início a uma campanha de centenário que vai durar um mês, com aeronaves em pintura retrô e a inauguração do centro de visitantes ‘Hangar One’ em Frankfurt. O CEO Carsten Spohr celebrou o aniversário como “um momento para honrar nosso passado e enfrentar a próxima tempestade.” Essa tempestade pode chegar antes do esperado. A companhia alertou seus funcionários sobre possíveis cortes de capacidade caso as tensões no Oriente Médio continuem elevando os preços do combustível de aviação, que já subiram 18% desde janeiro. Analistas destacam que cada aumento de um centavo de dólar por galão acrescenta cerca de €25 milhões à conta anual de combustível da Lufthansa. Somado às disputas salariais em curso, o aumento dos custos pode comprometer o plano de recuperação da empresa, que mira um lucro operacional de €1,5 bilhão em 2026. As relações trabalhistas ofuscam as comemorações. Pilotos e comissários de bordo já realizaram votações para greve, e líderes sindicais indicam que paralisações simbólicas durante a semana do aniversário “não estão descartadas”. Spohr disse à imprensa que permanece aberto à arbitragem, mas reforçou a necessidade de transferir aeronaves e tripulações para certificados operacionais de menor custo para manter a competitividade. Do ponto de vista da mobilidade, o marco dos cem anos traz sinais mistos. No lado positivo, a Lufthansa está lançando cabines ‘Allegris’ aprimoradas e ampliando o embarque biométrico nos aeroportos alemães, reduzindo o tempo de trânsito para viajantes premium. No lado negativo, as empresas enfrentam maior volatilidade nos horários justamente no auge da temporada de feiras comerciais de primavera. Gestores de viagens devem ficar atentos às atualizações sobre a sobretaxa de combustível: a Lufthansa informa que um suplemento dinâmico de “sustentabilidade e combustível” pode ser incluído nas passagens com aviso prévio de sete dias. O centenário da companhia reforça a estreita ligação da aviação com a economia exportadora da Alemanha; mas, a menos que haja paz salarial e estabilidade energética, o próximo século da Lufthansa pode começar com mais um ciclo de apertos para passageiros e funcionários.
Fonte: dpa via Börsennews
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