
Sete organizações humanitárias — incluindo Médicos Sem Fronteiras, Médicos do Mundo e Caritas International — divulgaram um relatório conjunto em 23 de abril acusando a Bélgica de negar sistematicamente abrigo, alimentação e cuidados médicos a requerentes de asilo. Segundo os grupos, 62% dos homens solteiros e 75% das famílias tiveram o pedido de acomodação recusado na segunda metade de 2025, tendência que se manteve em 2026, apesar de várias decisões judiciais que ordenaram ao Estado aumentar a capacidade de acolhimento. As ONGs apontam a redução dos lugares de acolhimento do Fedasil — de cerca de 34.500 para 30.000 em um ano — além de cortes orçamentários que levaram o Centro Humanitário de Bruxelas a reduzir pela metade as consultas médicas. Alegam que o governo tem apostado em tendas de emergência e redes informais de voluntários, em vez de ampliar a capacidade estrutural. O relatório destaca riscos reputacionais e de conformidade para empregadores que recebem refugiados nos programas de integração laboral da Bélgica. Sem moradia estável e acesso à saúde, muitos candidatos elegíveis não conseguem obter registro municipal, contas bancárias ou números de segurança social — impedindo a emissão de autorizações de trabalho e o acesso à folha de pagamento. Empresas que participam do Talent Beyond Borders e programas similares podem precisar oferecer alojamento temporário ou firmar parcerias com ONGs até que os padrões de acolhimento melhorem. Politicamente, a crítica aumenta a pressão sobre a ministra da Migração, Anneleen Van Bossuyt, que já enfrenta escrutínio parlamentar por outras reformas no sistema de asilo. Observadores destacam que a Bélgica assumirá a presidência rotativa do Conselho da UE em janeiro de 2027, tornando a conformidade interna com os padrões europeus de asilo uma prioridade diplomática. As ONGs recomendam um mecanismo nacional de redistribuição e financiamento emergencial para reabrir centros do Fedasil desativados. Também pedem uma moratória imediata à lei de agosto de 2025 que encerrou o acolhimento para pessoas com proteção concedida em outro país da UE, argumentando que a medida viola obrigações internacionais.
Fonte: The Brussels Times