
O Tribunal Constitucional da Bélgica deu um grande revés à agenda rigorosa do governo federal sobre migração ao anular a disposição que aboliu a assistência financeira emergencial para requerentes de asilo. Em sua decisão de 21 de maio de 2026, o Tribunal considerou que a retirada da possibilidade de auxílios financeiros violava tanto as garantias de dignidade humana da Constituição belga quanto a Diretiva da UE sobre Condições de Acolhimento. Até então, a reforma permitia que o Fedasil negasse todo apoio monetário — mesmo a pessoas vulneráveis medicamente ou a requerentes que ficavam sem abrigo quando a rede de acolhimento estava lotada. A decisão restabelece uma rede de segurança que os centros de assistência social (CPAS/OCMW) usavam ocasionalmente quando a superlotação, doença ou deficiência tornavam impossível a colocação em centros coletivos. Os advogados dos reclamantes argumentaram que a proibição total da ajuda em dinheiro ignorava a realidade prática de que nem sempre há vagas disponíveis, deixando pessoas desamparadas nas ruas. O Tribunal concordou, enfatizando que “a dignidade humana não pode depender do estado da rede de acolhimento.” Politicamente, a decisão representa um golpe para a Ministra do Asilo e Migração, Anneleen Van Bossuyt, que buscava apresentar a política belga como “a mais rigorosa da Europa.” Van Bossuyt afirmou que a cláusula da ajuda em dinheiro era em grande parte simbólica e prometeu continuar apertando as regras dentro dos limites legais. Por outro lado, partidos de oposição e ONGs receberam a decisão como um lembrete de que as reformas devem respeitar as obrigações constitucionais e da UE. Para empregadores e gestores de realocação, a decisão reduz o risco de desamparo repentino entre dependentes de titulares de permissões de trabalho cujos familiares requerentes de asilo ainda estão em situação incerta. As autoridades municipais poderão novamente conceder apoio financeiro limitado, aliviando a pressão sobre as instituições de caridade locais que vinham suprindo essa lacuna. Empresas com programas de diversidade ou responsabilidade social corporativa podem querer revisar parcerias com os escritórios do CPAS, que agora retomarão o processamento desses pagamentos. Olhando para o futuro, o Tribunal encaminhou a medida irmã — que permite ao Fedasil recusar abrigo a pessoas já protegidas em outro país da UE — ao Tribunal de Justiça da UE. Um veredito final sobre essa cláusula pode transformar ainda mais o cenário do asilo na Bélgica antes que o Pacto de Migração da UE entre em vigor integralmente em junho de 2026.
Fonte: The Brussels Times