
A Áustria apoia uma iniciativa conjunta de 19 Estados-membros da UE que defende a criação rápida de “centros de retorno” em países terceiros, onde requerentes de asilo rejeitados possam ser processados e deportados. A proposta — detalhada numa carta coassinada pela Dinamarca e Itália, datada de 19 de junho de 2026 — baseia-se no Regulamento de Retorno adotado no início deste mês e representa o primeiro passo concreto para externalizar partes do novo Pacto da UE sobre Migração e Asilo. A carta conjunta, obtida pelo jornal grego Kathimerini, argumenta que as atuais taxas de retorno — apenas 21% em 2025 — minam a confiança pública no espaço Schengen e na livre circulação. Os signatários (Áustria, Dinamarca, Alemanha, Grécia, Itália, Países Baixos e outros 13) instam a Comissão a identificar países parceiros “em África e Ásia Central” dispostos a acolher centros de processamento financiados pela UE até o final do ano. O ministro do Interior austríaco, Gerhard Karner, saudou a iniciativa, afirmando que Viena “há muito defende procedimentos fora do território da UE para quebrar o modelo de negócio dos traficantes”. Segundo o plano, os Estados-membros financiam coletivamente instalações seguras administradas pela Organização Internacional para as Migrações (OIM) e monitoradas pela Agência da UE para o Asilo. Migrantes cujos pedidos de proteção já foram rejeitados dentro da UE — ou em novas instalações de triagem nas fronteiras — seriam transferidos para esses centros para aconselhamento pré-embarque, documentação e voos charter de remoção. Embora o conceito não chegue ao nível do “modelo Ruanda” do Reino Unido, ele externaliza a detenção e a acomodação de curto prazo, aliviando a pressão sobre Estados Schengen com sistemas de acolhimento sobrecarregados, como Áustria, Alemanha e Países Baixos. Equipes de mobilidade corporativa e viagens de negócios devem acompanhar de perto a proposta. Se implementados, os centros de retorno podem acelerar a remoção de funcionários ou dependentes que ultrapassem o tempo permitido pelos vistos Schengen, tornando ainda mais crucial o cumprimento rigoroso das regras 90/180 dias. Por outro lado, a iniciativa provavelmente não afetará transferências legítimas dentro da empresa ou destacamentos de trabalhadores, que continuam a ser geridos pelos regimes nacionais de autorização de residência. O cronograma é ambicioso: os serviços da Comissão foram solicitados a apresentar um pacote de viabilidade antes do Conselho de Justiça e Assuntos Internos de outubro, com missões exploratórias a países parceiros potenciais já em agosto. Para multinacionais que movimentam pessoal via Viena ou outros pontos de entrada austríacos, a mensagem política é clara: a era da aplicação flexível das regras de retorno está chegando ao fim, e a fiscalização documental nas fronteiras austríacas — já intensificada com a reintrodução temporária dos controlos — será ainda mais rigorosa quando os centros estiverem operacionais.
Fonte: Kathimerini