
Em uma iniciativa separada, mas relacionada, o governo apresentou um projeto de lei de 142 páginas que reformula o marco legal da imigração na Itália para alinhar-se às futuras regulamentações da UE. O texto estabelece uma abordagem dupla: medidas que entram em vigor imediatamente após a publicação — principalmente o poder de impedir a entrada de embarcações em águas territoriais por até 30 dias, prorrogáveis para 180 — e uma delegação de seis meses para a emissão de decretos que implementem atos específicos da UE sobre gestão de crises, retornos e triagem. A principal novidade do projeto é a "interdição temporária" das águas territoriais, um instrumento administrativo destinado a desestimular embarcações de contrabando sem violar o dever de resgate. A medida será coordenada com a Guarda Costeira, Marinha e Frontex, e dependerá das regulamentações de crise da UE, que entrarão em vigor em 1º de julho de 2026. Outros capítulos endurecem a proteção complementar, restringem a reunificação familiar e preveem a apreensão de embarcações de ONGs que descumprirem as regras de coordenação. Grupos da sociedade civil argumentam que essas normas criminalizam o resgate, enquanto setores empresariais temem repercussões diplomáticas com países de origem, cujos trabalhadores sazonais sustentam a agricultura e o turismo. Para as equipes de RH, a mudança mais concreta é a transição para renovações de permissões de residência totalmente digitais até 1º de janeiro de 2027, uma medida que visa integrar o novo sistema de Entrada/Saída da UE (EES) e a autorização ETIAS. Empresas que empregam grande número de trabalhadores não pertencentes à UE precisarão atualizar seus sistemas de TI de RH para coletar dados biométricos e códigos QR gerados pelas novas permissões. O projeto agora segue para a Câmara dos Deputados, mas, com a coalizão governista detendo maioria confortável, a aprovação antes do recesso de verão é considerada provável.
Fonte: La Sicilia