
O Ministro do Interior da Áustria, Gerhard Karner, acrescentou ontem a assinatura de Viena a uma carta conjunta de 21 Estados-membros da UE e do espaço Schengen, solicitando à Presidência do Conselho Irlandês a convocação de uma videoconferência extraordinária de ministros do Interior nos próximos dias. O pedido surge após a entrada massiva e dramática de cerca de 50.000 a 60.000 migrantes na enclave espanhola do Norte de África, Ceuta, em 31 de julho, episódio que resultou em pelo menos 67 mortes e levou Madrid a erguer uma barreira marítima de 500 metros durante a noite. Na carta — também assinada por Itália, Dinamarca, Alemanha e outras 16 capitais — os ministros alertam que as “travessias massivas descontroladas” e outras “ameaças híbridas” podem minar a confiança no sistema comum europeu de migração e asilo. Eles defendem que é necessária uma resposta coordenada para evitar a percepção de que “a entrada ilegal pode transformar-se em permanência legal”, uma formulação diplomática que visa a política de regularização relativamente liberal da Espanha, mas suficientemente ampla para obter consenso do governo austríaco, mais restritivo. Para a Áustria, o episódio reacende preocupações antigas sobre movimentos secundários vindos das rotas dos Balcãs Ocidentais e do Mediterrâneo Central. Viena mantém controles internos nas fronteiras com Eslovênia, Hungria, Eslováquia e República Checa desde 2015, citando repetidamente a pressão migratória e riscos terroristas. As autoridades receiam que uma crise prolongada na fronteira externa espanhola possa desencadear um efeito dominó, aumentando a pressão nas fronteiras austríacas num momento em que o Sistema de Entrada/Saída (EES) ainda está em fase de implementação e o ETIAS ainda não está operacional. Os setores ligados a viagens de negócios devem estar atentos: qualquer decisão dos Estados-membros de suspender temporariamente a Espanha do espaço Schengen — ou de seguir a ameaça da Itália de reintroduzir controles para chegadas provenientes da Espanha — pode afetar os horários aéreos e ferroviários em toda a Europa durante a movimentada temporada de final de verão. Exportadores austríacos que transportam mercadorias por estrada através da Itália ou França também podem enfrentar nova burocracia e filas caso os países vizinhos restabeleçam os controles. A curto prazo, gestores de mobilidade com funcionários em trânsito pela Espanha são aconselhados a monitorar alertas das transportadoras e a prever tempo extra para conexões nos itinerários. Caso o Conselho concorde com “controles coordenados” em toda a Europa, os viajantes que entrarem na Áustria vindos de outro país Schengen poderão voltar a ser submetidos à inspeção de passaporte na chegada — um lembrete de que a promessa de viagens sem obstáculos no espaço Schengen depende da capacidade do bloco de controlar eficazmente suas fronteiras externas.
Fonte: Associated Press
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