
Em uma medida amplamente interpretada como a maior liberalização do regime de vistos do Brasil em mais de uma década, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou em 22 de fevereiro de 2026 um decreto presidencial autorizando a entrada sem visto para portadores de passaportes comuns chineses. Com a medida — confirmada pelo Ministério das Relações Exteriores e publicada no mesmo dia no Diário Oficial da União —, cidadãos chineses poderão entrar no Brasil por até 30 dias por viagem, com possibilidade de renovação local para um total acumulado de 90 dias em qualquer período de doze meses.
A iniciativa é explicitamente recíproca: Pequim permite a entrada de brasileiros sem visto desde 1º de junho de 2025, e ambos os governos já indicavam que a isenção para viajantes chineses viria após a estabilização da capacidade aérea bilateral e dos protocolos de triagem sanitária. O decreto, portanto, consolida uma liberalização bilateral que órgãos de turismo e companhias aéreas de ambos os países vinham pleiteando desde antes da pandemia.
Antes de 2020, a China era o mercado de origem de voos de longa distância que mais crescia para o Brasil, com um aumento de 43% nas chegadas entre 2015 e 2019. O Ministério do Turismo projeta que a nova isenção poderá elevar o número de visitantes chineses para além da marca simbólica de 100 mil neste ano, injetando cerca de US$ 250 milhões na economia local.
Para gestores de viagens corporativas, as implicações são imediatas. A mudança elimina o prazo de até três semanas para obtenção antecipada de visto e elimina a taxa consular de US$ 150, frequentemente paga por subsidiárias brasileiras que convidavam executivos chineses. Companhias aéreas — incluindo Latam, Azul e China Southern — já solicitaram à ANAC slots extras nas rotas São Paulo–Guangzhou e Rio de Janeiro–Pequim a partir de maio. Grandes redes hoteleiras estão retomando iniciativas pré-pandemia, como kits de boas-vindas em chinês e aceitação do UnionPay, enquanto centros de convenções em São Paulo e Recife relatam aumento nas solicitações de grupos dos setores de dispositivos médicos e energia renovável baseados em Shenzhen e Xangai.
Advogados especializados em imigração alertam que a isenção não autoriza atividades remuneradas: visitantes chineses que entram sem visto continuam proibidos de assumir empregos locais e devem registrar-se na Polícia Federal caso queiram estender a estadia além de 30 dias.
Ainda assim, o decreto sinaliza uma mudança mais ampla na política de Brasília. Autoridades próximas à presidência informaram à imprensa que isenções semelhantes para Indonésia, Catar e África do Sul estão em análise técnica, alinhadas à meta do governo de recuperar os números do turismo pré-Covid até o final de 2027.
O momento também tem significado diplomático. Lula deve visitar Pequim em abril para uma cúpula de investimentos do BRICS-plus, e negociadores afirmam que o regime de isenção de vistos será tema central em discussões paralelas sobre a ampliação de voos diretos e promoção de parcerias em hidrogênio verde e agritecnologia.
Analistas veem, portanto, o decreto de 22 de fevereiro não apenas como um impulso ao turismo, mas como uma evidência concreta do alinhamento do Brasil em direção a laços mais estreitos entre as populações com seu maior parceiro comercial.
A iniciativa é explicitamente recíproca: Pequim permite a entrada de brasileiros sem visto desde 1º de junho de 2025, e ambos os governos já indicavam que a isenção para viajantes chineses viria após a estabilização da capacidade aérea bilateral e dos protocolos de triagem sanitária. O decreto, portanto, consolida uma liberalização bilateral que órgãos de turismo e companhias aéreas de ambos os países vinham pleiteando desde antes da pandemia.
Antes de 2020, a China era o mercado de origem de voos de longa distância que mais crescia para o Brasil, com um aumento de 43% nas chegadas entre 2015 e 2019. O Ministério do Turismo projeta que a nova isenção poderá elevar o número de visitantes chineses para além da marca simbólica de 100 mil neste ano, injetando cerca de US$ 250 milhões na economia local.
Para gestores de viagens corporativas, as implicações são imediatas. A mudança elimina o prazo de até três semanas para obtenção antecipada de visto e elimina a taxa consular de US$ 150, frequentemente paga por subsidiárias brasileiras que convidavam executivos chineses. Companhias aéreas — incluindo Latam, Azul e China Southern — já solicitaram à ANAC slots extras nas rotas São Paulo–Guangzhou e Rio de Janeiro–Pequim a partir de maio. Grandes redes hoteleiras estão retomando iniciativas pré-pandemia, como kits de boas-vindas em chinês e aceitação do UnionPay, enquanto centros de convenções em São Paulo e Recife relatam aumento nas solicitações de grupos dos setores de dispositivos médicos e energia renovável baseados em Shenzhen e Xangai.
Advogados especializados em imigração alertam que a isenção não autoriza atividades remuneradas: visitantes chineses que entram sem visto continuam proibidos de assumir empregos locais e devem registrar-se na Polícia Federal caso queiram estender a estadia além de 30 dias.
Ainda assim, o decreto sinaliza uma mudança mais ampla na política de Brasília. Autoridades próximas à presidência informaram à imprensa que isenções semelhantes para Indonésia, Catar e África do Sul estão em análise técnica, alinhadas à meta do governo de recuperar os números do turismo pré-Covid até o final de 2027.
O momento também tem significado diplomático. Lula deve visitar Pequim em abril para uma cúpula de investimentos do BRICS-plus, e negociadores afirmam que o regime de isenção de vistos será tema central em discussões paralelas sobre a ampliação de voos diretos e promoção de parcerias em hidrogênio verde e agritecnologia.
Analistas veem, portanto, o decreto de 22 de fevereiro não apenas como um impulso ao turismo, mas como uma evidência concreta do alinhamento do Brasil em direção a laços mais estreitos entre as populações com seu maior parceiro comercial.
Fonte: Passe/Port (Passport Index)
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