
Após dois anos de anúncios intermitentes, a Itália finalmente divulgou as diretrizes para a implementação do seu Visto para Nômades Digitais em 2 de março de 2026. O decreto — assinado pelos ministros do Interior, Trabalho e Relações Exteriores e publicado na Gazzetta Ufficiale — esclarece os critérios de elegibilidade, níveis de renda exigidos, tratamento fiscal e obrigações previdenciárias para trabalhadores remotos não pertencentes à UE que desejam se estabelecer no país por até um ano, com possibilidade de renovação. Principais pontos. Os candidatos devem comprovar renda bruta anual mínima de €28.000 (valor inferior aos €30.000 mencionados em versões anteriores), possuir seguro saúde privado válido na Itália e apresentar contrato de trabalho com empregador estrangeiro ou comprovação de trabalho autônomo com clientes fora da Itália. Familiares podem acompanhar o requerente principal por meio de regras simplificadas de reunificação familiar, desde que a renda mínima seja novamente comprovada para cada dependente. Importante: o decreto confirma que os Nômades Digitais estarão isentos do polêmico regime de “imposto substitutivo”, mas serão sujeitos ao IRPEF comum sobre rendimentos de fonte italiana; rendimentos de fonte estrangeira só serão tributados após 183 dias de presença física no país. Procedimentos para solicitação. O processo segue o conhecido sistema nulla osta usado para outras autorizações de trabalho: (1) pedido online pelo portal ‘Sportello Unico’ do Ministério do Interior; (2) agendamento presencial para coleta biométrica no consulado italiano com jurisdição sobre o local de residência do candidato; (3) emissão do visto nacional D; e (4) retirada do permesso di soggiorno em até oito dias após a chegada. Os prazos máximos são de 30 dias para o nulla osta e 15 dias para o visto — metas ambiciosas que agradam empresas de relocação preocupadas com possíveis atrasos antes da chegada do público dos Jogos Paralímpicos de Milão-Cortina. Contexto e impacto. Rivais do sul da Europa, como Espanha, Portugal e Grécia, já atraíram dezenas de milhares de profissionais independentes. Críticos apontavam que a Itália estava perdendo uma fatia da economia global de nômades digitais, avaliada em €787 bilhões. Ao estabelecer um piso de renda acessível e prometer agilidade no processamento, Roma sinaliza sua intenção de competir. Cidades como Palermo, Bari e vilarejos alpinos remotos preparam pacotes de incentivos — espaços de coworking com desconto, aluguel subsidiado e aulas gratuitas de italiano — para atrair candidatos. Implicações práticas. Empresas com políticas de “trabalho de qualquer lugar” devem revisar questões de folha de pagamento e exposição a estabelecimento permanente caso funcionários escolham a Itália como base. Indivíduos precisam planejar o registro no sistema nacional de saúde após 90 dias e reservar orçamento para contribuições ao INPS se permanecerem no país por mais de 183 dias. Consultores fiscais já alertam que o visto, por si só, não garante acesso ao benefício fiscal italiano de redução de 50% para trabalhadores estrangeiros; é necessária uma solicitação separada. Com as diretrizes agora públicas, consulados começarão a aceitar pedidos a partir de 18 de março de 2026. Advogados de imigração esperam “vários milhares” de solicitações já no primeiro trimestre, impulsionadas por trabalhadores remotos que desejam combinar os Jogos Paralímpicos de 2026 com uma estadia prolongada na Itália.
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