
Em um gesto inesperado de conciliação após a visita da presidente do Kuomintang (KMT), Cheng Li-wun, ao continente entre 7 e 12 de abril, Pequim anunciou no domingo que irá “retomar progressivamente” os voos diretos de passageiros ligando o continente a destinos taiwaneses como Xi’an e Urumqi, rotas suspensas desde a pandemia e o esfriamento político subsequente. O Escritório de Assuntos de Taiwan da China também se comprometeu a acelerar as aprovações de importação de frutos do mar taiwaneses e a explorar um canal permanente de comunicação entre os partidos. Enquanto o Conselho de Assuntos do Continente de Taipei descartou as medidas como “transações políticas”, a retomada dos voos tem implicações imediatas para a mobilidade: antes de 2020, a rede aérea entre os dois lados do Estreito transportava mais de 5 milhões de passageiros por ano, um terço deles viajantes de negócios que conectavam fornecedores de alta tecnologia de Taiwan a fábricas no interior da China. Para gestores expatriados e planejadores da cadeia de suprimentos, a reabertura dos voos pode reduzir horas de viagem que antes exigiam conexões demoradas em Hong Kong ou Macau. As companhias aéreas ainda precisarão de autorizações da Administração de Aviação Civil de Taiwan, e os horários provavelmente só estarão disponíveis nos sistemas globais de distribuição a partir de junho, mas empresas de gestão de viagens já apontam possíveis economias em diárias de hotel e custos de alimentação. Consultores jurídicos alertam que as regras de visto e permissão de entrada permanecem inalteradas: residentes do continente ainda precisam do Permissão de Viagem para Taiwan, e profissionais taiwaneses devem obter autorizações de trabalho para estadias superiores a 90 dias no continente. Ainda assim, o gesto sinaliza um descongelamento cauteloso que, se mantido, pode reabrir a porta para o modelo de deslocamento entre os dois lados do Estreito, popular entre engenheiros de semicondutores e altos executivos de compras antes da COVID-19.
Fonte: Associated Press
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