
A Bélgica deve conceder vistos de curta duração do espaço Schengen aos representantes afegãos esperados em Bruxelas para discussões da Comissão Europeia sobre o retorno de migrantes, confirmou o Escritório de Asilo e Migração em 22 de abril. A declaração ocorre após reportagens na mídia indicarem que oficiais do Talibã podem participar de “conversas técnicas” sobre como repatriar afegãos cujos pedidos de asilo foram rejeitados na UE. Como país anfitrião das instituições da UE, a Bélgica é legalmente obrigada a facilitar a participação, emitindo vistos de entrada, afirmou a ministra da Migração, Anneleen Van Bossuyt, aos jornalistas. Ela acrescentou que os vistos serão limitados à duração das reuniões e sujeitos a verificações de segurança padrão. A possibilidade de delegados do Talibã circularem livremente pelo espaço Schengen gerou críticas de grupos de defesa dos direitos das mulheres e de alguns parlamentares. Do ponto de vista da mobilidade, o caso destaca as obrigações da Bélgica sob o Acordo de Sede da UE de 1965, que pode se sobrepor à discricionariedade normal da política de vistos. Empresas que recebem delegações ou profissionais destacados vinculados a programas da UE devem estar atentas, pois essas obrigações podem acelerar a emissão de vistos mesmo para nacionais de países sob sanções da UE ou sem reconhecimento diplomático. Até o momento, nenhuma data foi marcada para as conversas. Caso ocorram, a polícia de fronteira belga provavelmente emitirá vistos de “validade territorial limitada” (LTV), restringindo a viagem à Bélgica e possivelmente a Luxemburgo, em arranjos semelhantes aos usados para certas conferências da ONU em Genebra. A controvérsia também evidencia os esforços mais amplos da UE para negociar a readmissão com o Afeganistão, apesar da ausência de relações formais. Empresas que empregam nacionais afegãos na Bélgica devem acompanhar mudanças nas políticas que possam impactar as perspectivas de asilo e os prazos para reunificação familiar.