
Praga — Em entrevista coletiva antes do Fórum GLOBSEC, no dia 21 de maio, o presidente da Câmara dos Deputados da República Tcheca, Tomio Okamura, propôs a eliminação da exigência de visto de curta duração entre a República Tcheca e a China. Em um briefing matinal compilado pelo Expats.cz, Okamura destacou que os visitantes chineses eram "os que mais gastavam por dia" antes da pandemia e que restaurar os volumes pré-2019 poderia injetar "um bilhão de coroas por ano" nas receitas do imposto sobre valor agregado. Okamura — cujo partido Liberdade e Democracia Direta (SPD) faz parte da coalizão governante — afirmou que apresentará uma moção para que o governo inicie negociações com Pequim sobre a isenção recíproca de vistos para estadias de até 14 dias. A iniciativa está alinhada com a estratégia mais ampla do primeiro-ministro Andrej Babiš, que busca um engajamento pragmático e focado no comércio com a Ásia. Operadores turísticos receberam a proposta com entusiasmo, ressaltando que o número de visitantes chineses despencou de 620 mil em 2019 para menos de 40 mil no ano passado. "Ainda operamos com apenas 10% da capacidade em excursões de grupos chineses", afirma Kate Říhová, da CzechTourism. "Um regime sem visto reduziria o tempo de espera de oito semanas para cinco dias e permitiria que voltássemos a combinar Praga com Viena e Budapeste." Por outro lado, gestores de viagens corporativas veem outra vantagem: itinerários mais ágeis para exportadores tchecos que visitam fábricas parceiras em Shenzhen ou Xangai. "Negociar contratos pessoalmente voltou a ser essencial, mas os entraves para obtenção de vistos custam semanas", explica Martin Dvořák, chefe de mobilidade global de uma empresa de eletrônicos sediada em Brno. O acesso sem visto permitiria viagens de última hora para emergências de controle de qualidade e aceleraria projetos de instalação. Céticos apontam para as limitações da reciprocidade na UE — qualquer acordo bilateral precisaria da aprovação de Bruxelas, já que a República Tcheca está vinculada à política comum de vistos do espaço Schengen. O Ministério das Relações Exteriores afirmou apenas que está "analisando opções" e que as discussões terão que abordar questões como verificação de segurança, monitoramento de permanência irregular e compartilhamento de dados de saúde da era pandêmica. Mesmo que as negociações avancem, fontes internas indicam que 2027 é a data mais realista para início da medida. Ainda assim, a proposta sinaliza um interesse político em usar a mobilidade como alavanca econômica. Como disse um hoteleiro de Praga, "Você pode reformar o saguão, mas sem vistos simplificados os quartos continuam vazios."
Fonte: Expats.cz
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