
A tensão diplomática entre Washington e Cidade do México aumentou em 9 de julho, após a presidente mexicana Claudia Sheinbaum prometer buscar “todas as vias legais disponíveis” em relação à morte de Lorenzo Salgado Araujo, um mexicano de 58 anos, baleado por um agente do Departamento de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE) em Houston, no dia 8 de julho. Segundo o ICE, os agentes tentaram deter Salgado durante uma operação para capturar fugitivos; a agência alega que ele tentou atropelar um oficial com sua caminhonete, o que levou ao uso da força letal. Testemunhas e familiares contestam essa versão, afirmando que Salgado — que vivia nos EUA há 35 anos e estava finalizando sua documentação para ajuste de status — estava desarmado e tentando cooperar. O incidente gerou uma vigília durante a noite e protestos no bairro Magnolia Park, em Houston, com líderes comunitários pedindo uma investigação independente e a divulgação das imagens das câmeras corporais. O ministro das Relações Exteriores do México, Roberto Velasco, confirmou que o governo apresentará um pedido formal para abertura de processo federal por violação de direitos civis nos EUA e pode buscar jurisdição com base na recente alteração da lei texana sobre homicídios transfronteiriços. O consulado mexicano em Houston está coletando depoimentos de testemunhas e solicitou ao Escritório de Responsabilidade Profissional do Departamento de Segurança Interna acesso imediato às provas. O caso traz novo foco às políticas de uso da força do ICE, em meio à intensificação da campanha de fiscalização interna promovida pelo presidente Trump. Grupos de direitos humanos destacam que pelo menos oito pessoas morreram em incidentes relacionados ao ICE desde janeiro de 2025 e argumentam que o treinamento dos agentes não acompanhou o aumento das prisões em liberdade. Para empregadores multinacionais que dependem de equipes com status migratório misto, o tiroteio é um alerta sobre o ambiente de fiscalização mais rigoroso. Gestores de mobilidade devem garantir que funcionários estrangeiros carreguem comprovantes de status legal o tempo todo e conheçam seus direitos durante abordagens de agentes de imigração. Empresas com operações no Texas também podem enfrentar interrupções na força de trabalho caso os protestos se ampliem ou se funcionários forem detidos em futuras operações.
Fonte: Associated Press