
O Departamento de Estado dos EUA adicionou discretamente uma nova categoria de inelegibilidade para vistos, permitindo que oficiais consulares neguem ou revoguem vistos de qualquer pessoa considerada como tendo “planejado, dirigido, executado ou se beneficiado materialmente de crimes cibernéticos”. Anunciada em 23 de julho e publicada em 24 de julho, a política altera a Seção 212(a)(3)(C) da Lei de Imigração e Nacionalidade, tratando a participação em fraudes online em grande escala, ransomware, roubo de dados ou golpes amorosos conhecidos como “pig-butchering” como uma ameaça à política externa, equiparada ao financiamento do terrorismo. Na prática, a regra oferece a Washington uma ferramenta rápida, baseada em inteligência, para desarticular sindicatos criminosos que atuam em múltiplas jurisdições, mas dependem de viagens aos EUA para movimentar dinheiro ou lavar reputação. As proibições de visto podem agora se estender a familiares diretos, seguindo o modelo das sanções Magnitsky, aumentando a pressão sobre líderes criminosos que ocultam bens por meio de parentes. Para empresas multinacionais, a maior implicação está na conformidade. Fornecedores terceirizados de verificação de antecedentes precisarão atualizar suas listas de vigilância, e equipes de viagens corporativas devem esperar um aumento nas Opiniões Consultivas de Segurança (SAOs) quando funcionários estiverem envolvidos com criptomoedas ou trabalhos de perícia digital em regiões de alto risco. Escritórios de advocacia orientam clientes a documentar o propósito legítimo de qualquer trabalho de cibersegurança transfronteiriço, antecipando questionamentos consulares mais rigorosos. Representantes do setor de viagens ressaltam que a nova regra não exige documentação adicional para solicitantes comuns dos vistos B-1/B-2, F-1 ou H-1B. Contudo, como as decisões baseadas na Seção 212(a)(3)(C) da INA não são passíveis de revisão judicial, viajantes recusados terão poucas opções além de um recurso limitado por meio de opinião consultiva. Portanto, as empresas devem prever tempo extra em planos de viagem essenciais para funcionários cujas funções envolvam resposta a incidentes ou testes de penetração. Diplomáticamente, a medida indica uma mudança no uso de controles de mobilidade — e não apenas sanções do Tesouro — para combater crimes cibernéticos. Observadores destacam que ampliar as autoridades de visto é mais rápido do que negociar tratados de extradição e está alinhado com esforços de aliados, como o novo regime britânico de proibição de vistos para crimes online. À medida que o cibercrime se torna mais transnacional, profissionais de mobilidade devem esperar que a política de vistos se torne uma ferramenta cada vez mais importante na linha de frente do combate a essas ameaças.
Fonte: iVisa News