
Em uma votação unânime em 4 de março de 2026, o Senado brasileiro aprovou o tão aguardado Acordo de Associação UE-Mercosul, concluindo a análise legislativa e encaminhando o texto para promulgação. O acordo criará a maior área de livre comércio do mundo em termos populacionais — 720 milhões de pessoas — eliminando até 95% das tarifas ao longo de 12 a 15 anos. Embora as manchetes destaquem os bens, os capítulos sobre serviços no pacto prometem simplificar viagens de negócios de curto prazo, o reconhecimento mútuo de qualificações profissionais e a burocracia aduaneira. Executivos europeus que gerenciam operações no Brasil devem observar um processamento mais rápido dos carnês A.T.A. e faixas exclusivas para “visitantes de negócios” assim que os regulamentos de implementação forem publicados. Por outro lado, multinacionais brasileiras — desde a frigorífica JBS até a fintech Nubank — terão regras mais claras para o envio de funcionários a subsidiárias na UE para projetos de instalação, pós-venda ou treinamento. A ApexBrasil projeta um aumento de US$ 7 bilhões nas exportações; as consultorias Big Four indicam que as transferências intraempresariais podem crescer 20% à medida que as empresas reestruturam suas cadeias de suprimentos para aproveitar a redução tarifária. Gestores de mobilidade devem, portanto, mapear o volume de colaboradores destacados e antecipar a demanda por permissões temporárias de transferência no Mercosul (o chamado visto “Decisão 98/12”) e categorias de curta estadia na UE. A implementação não é imediata: Bruxelas ainda aguarda um parecer do Tribunal de Justiça Europeu, mas a presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, sinalizou aplicação provisória a partir de maio de 2026. Para se preparar, as empresas devem auditar seus processos de conformidade migratória, atualizar as Notificações de Trabalhadores Destacados em destinos europeus de alto volume, como Alemanha e Espanha, e orientar os funcionários brasileiros sobre comprovação de seguro saúde e direitos dos trabalhadores destacados conforme a Diretiva Europeia 2014/67/UE. A votação no Senado também impulsionou um decreto presidencial que estabelece mecanismos de salvaguarda para proteger indústrias nacionais contra surtos de importação — um contexto crucial para os departamentos de mobilidade que transferem especialistas em produção para plantas brasileiras que podem expandir com o acordo.
Fonte: Agência Brasil