
Uma coalizão de organizações de direitos humanos da Áustria e internacionais solicitou formalmente à Comissão Europeia que inicie um processo por infração contra a decisão de Viena de suspender os vistos de reunificação familiar para titulares de status de asilo até, pelo menos, meados de 2026. Na denúncia, apresentada em 27 de abril e confirmada em 28 de abril, o International Refugee Assistance Project (IRAP), a Asylkoordination Österreich, a Igreja Protestante da Áustria e a Stowarzyszenie Interwencji Prawnej da Polônia argumentam que a suspensão viola tanto a Diretiva da UE sobre Reunificação Familiar quanto as disposições recentemente adotadas no Pacto de Migração e Asilo do bloco. A Áustria interrompeu a emissão dos vistos “Teilnahme am Familiennachzug” em março de 2025, após um recorde de chegadas de requerentes de asilo em 2024. Embora existam exceções humanitárias, advogados afirmam que os prazos de processamento se estenderam para até 18 meses, deixando milhares de refugiados reconhecidos separados de seus cônjuges e filhos. Autoridades do ministério do Interior garantem que a medida é temporária e legal, classificando-a como parte de uma política migratória “dura, mas justa”. O documento das ONGs destaca que, entre 2015 e 2025, mais de 100 mil imigrantes entraram na Áustria sob as regras de reunificação familiar — principalmente sírios, afegãos, turcos e somalis — e afirma que a suspensão atual está causando danos psicossociais e dificultando a integração. Também cita dados do ministério da Educação mostrando que mais da metade dos alunos em Viena fala uma língua diferente do alemão em casa, argumentando que manter as famílias separadas complica ainda mais o desempenho escolar. Caso a Comissão aceite a denúncia, poderá abrir um procedimento de “parecer fundamentado” que pode chegar ao Tribunal de Justiça da União Europeia. Para empregadores, a disputa aumenta a incerteza no planejamento de mobilidade global para funcionários cujos dependentes possuem status humanitário; equipes de RH são aconselhadas a verificar rotas alternativas de reunião familiar (como o canal para dependentes do Cartão Azul da UE) e a prever orçamento para suporte prolongado em moradia e educação. Advogados de imigração afirmam que uma decisão também pode esclarecer se os Estados-membros podem usar moratórias gerais em futuras crises.
Fonte: Brussels Signal