
Uma resposta confidencial do Ministério Federal do Interior a uma pergunta do Partido Verde, vazada para a RedaktionsNetzwerk Deutschland e confirmada pelo Die Zeit em 6 de maio, revela a escala dos recursos que Berlim está dedicando às verificações internas nas fronteiras do espaço Schengen, ordenadas pelo ministro do Interior Alexander Dobrindt há um ano. Atualmente, até 14.000 dos 54.000 policiais da Bundespolizei — mais de um quarto da força — estão escalados para atuar em pontos de passagem rodoviários, ferroviários e fluviais com Áustria, República Tcheca, Polônia, França, Suíça, Dinamarca, Luxemburgo e Holanda. Representantes sindicais alertam que essa mobilização deixa estações ferroviárias, aeroportos e unidades de investigação perigosamente desfalcadas. Segundo o sindicato policial GdP, entre 5.000 e 6.000 agentes que normalmente patrulham grandes estações foram realocados, enquanto 800 a 1.000 membros da reserva móvel de polícia anti-motim ficam presos em serviço de fronteira toda semana. Empresas de logística reclamam que as inspeções obrigatórias de caminhões nas rodovias A3 e A8 estão atrasando os prazos de entrega e elevando os custos das cadeias de suprimentos just-in-time. Os controles — inicialmente apresentados como uma resposta temporária à migração irregular — foram prorrogados repetidamente em incrementos de seis meses. Vários tribunais já declararam ilegais as devoluções em massa, mas o ministério sustenta que a medida é proporcional na ausência de uma solução europeia para as fronteiras externas. Com o novo Pacto sobre Migração e Asilo previsto para entrar em vigor em junho, críticos temem que a derrogação nacional se torne permanente. Para as equipes de mobilidade global, essa disputa política se traduz em complicações práticas. Ônibus que transportam grupos corporativos precisam programar tempo extra na fronteira, e operadores ferroviários não conseguem garantir os horários publicados. Empregadores que transferem funcionários entre as fronteiras DE-AT ou DE-PL devem preparar cartas explicando o propósito da viagem e confirmar que os familiares acompanhantes possuem comprovante de residência.
Fonte: Die Zeit