
Novos dados divulgados em 27 de maio de 2026 revelam que 30% dos requerentes de asilo que receberam uma decisão no primeiro trimestre deste ano aguardaram pelo menos dois anos — muito acima do prazo de seis meses estabelecido pelas regras da UE. As informações, inicialmente publicadas pelo Het Nieuwsblad e confirmadas pelo Escritório de Imigração, indicam um tempo médio de processamento de 533 dias, contra 430 dias em 2024. O Comissário-Geral para Refugiados e Apátridas da Bélgica (CGVS) atribui os atrasos a um acúmulo de processos herdado da pandemia e ao aumento de pedidos relacionados aos conflitos na Ucrânia, Sudão e Gaza. O quadro de funcionários tanto do CGVS quanto do Escritório de Imigração aumentou desde o final de 2025, mas os sindicatos afirmam que os novos recrutas ainda estão em fase de aprendizado e não conseguem lidar com casos complexos. Politicamente, os números pressionam a ministra do Asilo e Migração, Anneleen Van Bossuyt, que defende a “política migratória mais rigorosa até agora” da Bélgica. Parlamentares da oposição argumentam que a longa espera viola os direitos dos requerentes e onera os contribuintes: a agência federal de acolhimento Fedasil precisa custear alojamento e auxílios durante o período de espera. A ministra garante que o investimento extra — €42 milhões destinados para 2026 — reduzirá o tempo médio de decisão para menos de um ano até meados de 2027. Para os empregadores, o acúmulo gera efeitos colaterais. As equipes de recursos humanos que patrocinam contratações humanitárias (como refugiados altamente qualificados) enfrentam datas de início imprevisíveis, enquanto casos de familiares dependentes ligados a talentos já na Bélgica também sofrem atrasos. As empresas são aconselhadas a 1) prever prazos mais longos para os processos derivados da autorização de trabalho, 2) utilizar os caminhos de “proteção temporária” sempre que possível, e 3) acompanhar o Pacto Europeu de Migração e Asilo, que entra em vigor em 12 de junho de 2026 e obriga os países membros a acelerar os procedimentos. Escritórios de advocacia preveem que, uma vez que o prazo de seis meses do Pacto se torne obrigatório, a Bélgica poderá implementar uma triagem simplificada para casos claros e audiências digitais. Até lá, gestores de mobilidade devem considerar um horizonte de dois anos nos planejamentos de força de trabalho envolvendo possíveis contratações de refugiados.
Fonte: Anadolu Agency
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