
O pior cenário previsto pelos planejadores de trânsito se concretizou em 30 de maio, quando mais de 3.000 moradores do Tirol caminharam pela autoestrada A13 Brenner em Matrei-am-Brenner, paralisando por oito horas a principal rota europeia de transporte de cargas e turismo de norte a sul. O bloqueio simbólico, liderado pelo prefeito da cidade fronteiriça austríaca de Gries am Brenner, teve como objetivo pressionar Viena, Roma e Berlim a reduzirem o fluxo diário de 9.000 caminhões e dezenas de milhares de turistas que passam pelo estreito Vale do Wipp. Embora avisos prévios tenham mantido a maioria dos motoristas afastados, o fechamento desviou o tráfego pesado para a autoestrada A22 na Itália e para serviços ferroviários já afetados por greves, evidenciando a fragilidade das cadeias de suprimentos transfronteiriças às vésperas do pico do verão. Exportadores italianos de alimentos frescos e produtos de moda dependem de entregas “just-in-time” via Brenner; mesmo uma breve interrupção gera desvios caros pela Suíça ou pelos Alpes franceses. A associação logística Confetra estima que cada hora de atraso no corredor custa às empresas italianas cerca de €700.000 em combustível extra e janelas de entrega perdidas. O protesto também destacou o crescente atrito legal entre a Áustria, que impôs proibições de caminhões nos fins de semana e sistemas de agendamento para proteger as comunidades alpinas, e Itália e Alemanha, que veem essas medidas unilaterais como violação das regras de livre circulação da UE. O ministério dos transportes de Roma indicou que pode retomar processos de infração no Tribunal de Justiça Europeu caso o Tirol repita o bloqueio durante o feriado de Pentecostes e o feriado de 2 de junho. Para os gestores de mobilidade corporativa, a mensagem é clara: é preciso considerar o ativismo político no planejamento de viagens e transporte de cargas. Empresas com cargas sensíveis ao tempo devem avaliar opções ferroviárias pela “autoestrada rolante” Verona-Munique, reservar antecipadamente vagas de estacionamento nos pontos de controle do Tirol para evitar filas de horas e preparar funcionários móveis para possíveis fiscalizações ou desvios. Companhias aéreas que operam em Verona e Innsbruck já registram aumento nas reservas de fim de semana por viajantes que buscam evitar o caos nas estradas alpinas.
Fonte: Internazionale / Reuters