
A Lei de Fortalecimento do Sistema de Imigração e Fronteiras do Canadá (Projeto de Lei C-12) entrou em vigor oficialmente em 13 de junho e já enfrenta críticas contundentes de defensores dos refugiados. A legislação impede que a maioria dos requerentes de asilo apresentem pedidos mais de um ano após sua primeira entrada no Canadá, uma mudança que Ottawa argumenta ser necessária para desencorajar pedidos "abusivos" feitos apenas para estender o status temporário. Organizações como a Rainbow Railroad e outras instituições focadas na comunidade LGBTQ afirmam que a regra prejudica desproporcionalmente migrantes queer, que frequentemente precisam de tempo para reunir provas ou se assumirem com segurança antes de buscar proteção. Um ex-estudante do Oriente Médio, entrevistado anonimamente pela The Canadian Press, descobriu que fotos suas em eventos do Orgulho Canadense vazaram em seu país de origem; no entanto, como chegou em 2022, seu pedido de 2026 foi considerado inelegível e transferido para um processo de avaliação de risco pré-removal apenas documental (PRRA), que historicamente tem baixas taxas de aceitação. A ministra da Imigração, Lena Diab, defendeu a lei perante um comitê do Senado, afirmando que casos claros de proteção ainda receberão um "sim" imediato. Dados internos do governo indicam que cerca de 30 mil processos podem ser excluídos pela regra do prazo de um ano. Dezenas de ações constitucionais já foram apresentadas na Corte Federal, alegando violações às garantias de igualdade e devido processo da Carta Canadense. Para empregadores e universidades que recebem estudantes internacionais, o novo limite altera os cálculos de risco: graduados que atrasarem pedidos de refúgio podem perder autorização de trabalho, cobertura de saúde e, por fim, o status legal. As equipes de mobilidade devem destacar o prazo mais rigoroso nos materiais de orientação e garantir que funcionários ou estudantes vulneráveis tenham acesso a aconselhamento jurídico em tempo hábil. Embora Ottawa insista que a reforma preserva a integridade do sistema de asilo do Canadá, grupos de refugiados alertam que ela pode forçar indivíduos em risco a se esconderem ou retornarem a países onde enfrentam prisão. O debate prepara o terreno para uma decisão judicial crucial que pode redefinir o equilíbrio entre controle de fronteiras e obrigações humanitárias.
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