
Em um briefing incomumente detalhado na segunda-feira, as Forças de Defesa da Finlândia (FDF) informaram à Yle que os pilotos deliberadamente evitaram abater dois drones avistados perto de Virolahti em 3 de maio, pois as aeronaves estavam voando paralelamente à fronteira e poderiam ter espalhado destroços em território russo se fossem destruídas. “Em tempos de paz, não interceptamos exatamente na linha da fronteira”, disse um porta-voz das FDF. O Exército, em vez disso, solicitou à Agência de Transportes e Comunicações a imposição imediata de uma zona de exclusão aérea sobre o leste do Golfo da Finlândia, proporcionando aos caças uma margem de segurança maior caso os drones se dirigissem para o interior do país. A restrição temporária, que abrange as aproximações aos portos estratégicos de Kotka e Hamina, permanece em vigor enquanto se aguarda a análise forense dos rastros de radar. A explicação responde às críticas de políticos locais que questionaram por que os intrusos foram autorizados a sair sem serem desafiados. Advogados de defesa destacam que, segundo as Convenções de Haia e a própria Lei de Vigilância Territorial da Finlândia, o uso de força letal é permitido apenas quando um objeto representa perigo à vida ou a infraestrutura crítica. Os drones — acreditados como parte do pacote de ataques de longo alcance da Ucrânia contra a Rússia — não representaram tal risco durante sua breve incursão. Para as companhias aéreas, o episódio evidencia a crescente complexidade do espaço aéreo báltico. A Finnair já redirecionou vários voos noturnos para Copenhague e Bruxelas para evitar áreas de perigo militar, acrescentando de seis a nove minutos ao tempo total de voo e pequenos ajustes nas escalas da tripulação. Operadoras de voos charter que transportam técnicos de petróleo e gás para Kotka alertam que futuras restrições podem forçar desvios para Helsinque e transferências terrestres onerosas. Consultores de risco recomendam que as empresas revisem os alertas de rastreamento de voos e garantam que as apólices de seguro de viagem considerem incidentes com drones como eventos elegíveis de “fechamento do espaço aéreo”. Com exercícios de defesa aérea da OTAN programados para o final de maio, novas restrições de última hora são esperadas.
Fonte: Yle