
O endurecimento das políticas de asilo e acolhimento na Bélgica já está remodelando os fluxos migratórios, segundo dados divulgados no programa de atualidades ‘WNL Op Zondag’ em 1º de junho de 2026. O Ministro da Defesa, Theo Francken – que já foi Secretário de Estado para Migração – afirmou à emissora holandesa que os pedidos de asilo registrados na Bélgica entre janeiro e abril caíram 30,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior. O governo atribui essa queda às medidas emergenciais implementadas em meados de 2025: restrições nos benefícios para refugiados reconhecidos que permanecem além do tempo permitido nos centros de acolhimento, triagem mais rigorosa dos pedidos de reavaliação ‘Dublin’ por migrantes já protegidos em outro país da UE, e uma campanha informativa firme direcionada às redes de tráfico de pessoas. A mensagem de Francken – “A Bélgica não é a terra do leite e mel” – reflete uma estratégia deliberada para reduzir o que as autoridades chamam de “movimentos secundários” em direção ao sistema de bem-estar social relativamente generoso do país. Para os gestores de mobilidade, a menor pressão sobre o asilo pode aliviar indiretamente os gargalos no sobrecarregado Escritório de Estrangeiros da Bélgica, que lida tanto com pedidos de proteção quanto com cartões de residência para permissão de trabalho. Em 2025, a agência enfrentou atrasos de 10 a 12 semanas na emissão dos cartões de permissão única, complicando a movimentação de funcionários em empresas multinacionais. Uma queda sustentada no volume de casos humanitários pode liberar capacidade para processos de migração econômica. Governos vizinhos estão atentos. O deputado holandês Ruben Brekelmans afirmou no mesmo programa que várias táticas belgas – especialmente a aceleração no término dos benefícios de acolhimento – são “interessantes” para os Países Baixos, embora barreiras legais internas ainda existam. Se replicadas em outros lugares, tais medidas podem recalibrar as rotas de asilo dentro do Benelux e deslocar a pressão de volta para os países do Mediterrâneo, onde ocorrem a maioria das entradas irregulares. Grupos de defesa alertam que a abordagem belga pode empurrar refugiados reconhecidos para a situação de sem-teto caso não haja moradia acessível, além de potencialmente aumentar o número de recursos no já sobrecarregado Conselho de Contencioso de Estrangeiros. Empregadores que dependem de programas de contratação por permissão humanitária devem acompanhar se a postura mais rígida reduz o acesso a certos grupos de talentos, como desenvolvedores de TI sírios que antes eram encaminhados por programas de reassentamento.
Fonte: WNL
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