
No último dia da cúpula do G7 em Évian-les-Bains, a mobilidade transfronteiriça ao redor do Lago de Genebra praticamente parou. As autoridades francesas mantiveram abertas apenas sete das habituais 32 passagens rodoviárias para a Suíça, como parte do rigoroso esquema de segurança que protegia os chefes de Estado reunidos a 10 km, na margem francesa. O resultado foram filas quilométricas, com mais de 12 km de congestionamento no lado suíço, nos postos de controle de Bardonnex e Ferney-Voltaire, levando a operadora de transporte público de Genebra, TPG, a reduzir em 7% a oferta de ônibus e bondes nos horários de pico. A porta-voz da TPG, Isabel Pereira, explicou que a medida — de 430 para 400 veículos — foi necessária para evitar a “paralisação da rede”. As linhas transfronteiriças 80, 57, 67, 68 e 71 foram encurtadas ou desviadas, enquanto o bonde 12 operou apenas dentro da Suíça. A alfândega suíça alertou os caminhoneiros sobre esperas superiores a três horas, obrigando os transportadores a redirecionar as cargas pelo túnel do Mont-Blanc, acrescentando 185 km às entregas com destino a Lyon. Para as dezenas de milhares de franceses que trabalham nos setores bancário e de ciências da vida em Genebra, a interrupção significou reuniões perdidas e custos extras com horas extras. Multinacionais como Procter & Gamble ofereceram auxílios para trabalho remoto e orientaram seus funcionários a evitar os horários de pico até a reabertura dos postos fronteiriços durante a noite de quinta para sexta-feira. O Aeroporto de Genebra permaneceu em operação, mas registrou pequenos atrasos para as delegações que partiram após o comunicado final da cúpula. O evento serviu como um teste para o plano de segurança da França em preparação para a Expo Mundial de 2027, em Lyon, quando se espera a implementação de controles temporários semelhantes dentro do espaço Schengen. No entanto, prefeitos locais de ambos os lados da fronteira criticaram as restrições “tamanho único”, que desconsideram a realidade diária dos trabalhadores fronteiriços, que contribuem com cerca de CHF 6 bilhões para o PIB de Genebra. O prefeito francês Jean-Philippe Lecoustre defendeu as medidas, citando uma “ameaça terrorista elevada”. Ainda assim, reconheceu o impacto econômico e prometeu uma avaliação conjunta com autoridades suíças para aprimorar os protocolos futuros. Empresas com funcionários transfronteiriços devem revisar suas políticas de teletrabalho e criar margens extras de tempo para deslocamentos sempre que grandes cúpulas forem agendadas na região franco-suíça.
Fonte: Léman Bleu TV
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