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Parlamento Europeu aprova regulamento polêmico sobre Centros de Retorno, rejeitado pela França

jun. 18, 2026
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Parlamento Europeu aprova regulamento polêmico sobre Centros de Retorno, rejeitado pela França
ESTRASBURGO – O Parlamento Europeu deu aprovação final a uma ampla reforma da Diretiva de Retornos da UE, que permitirá aos Estados-Membros abrir “centros de retorno” para migrantes fora da União e estender a detenção antes da deportação de 6 meses para até dois anos. O texto, aprovado em 17 de junho com 418 votos a favor e 218 contra, ainda precisa ser ratificado pelo Conselho, mas as capitais já demonstraram apoio. Para a França, que passou meses alinhando sua legislação interna ao novo Pacto de Migração e Asilo, a votação traz sentimentos mistos. Paris tem pressionado por remoções mais rápidas — apenas 15% das ordens de retorno francesas foram executadas em 2025 —, mas o ministro das Relações Exteriores, Stéphane Séjourné, confirmou que a França não participará dos centros offshore, classificando-os como “legalmente frágeis e politicamente contraproducentes.” A comissão de leis do Senado francês alertou que o esquema pode criar “buracos jurídicos ao estilo Guantánamo” que comprometem os valores da UE. Viajantes a negócios e equipes de RH multinacionais devem ficar atentos a duas consequências imediatas. Primeiro, o prazo de detenção para quem ultrapassar o tempo de permanência ou para requerentes de asilo rejeitados na França será automaticamente reajustado para o novo limite máximo da UE assim que o regulamento entrar em vigor, dando às prefeituras maior discricionariedade para deter pessoas enquanto aguardam a remoção. Segundo, a Comissão pediu aos Estados-Membros que vinculem a emissão de autorizações de trabalho à cooperação nos retornos, o que significa que estrangeiros não pertencentes à UE que se recusarem a colaborar podem ter a renovação de sua residência negada. Na prática, empresas que patrocinam transferências de talentos devem verificar cuidadosamente se os funcionários mantêm seu status de residência regular — ultrapassar o prazo de um visto de curta duração no espaço Schengen pode agora desencadear uma fiscalização muito mais rigorosa. Consultores jurídicos também recomendam que as empresas se preparem para possíveis riscos reputacionais caso parceiros da cadeia de suprimentos estejam envolvidos na operação dos centros externos. Embora o eurodeputado francês de direita François-Xavier Bellamy tenha saudado a medida como um “passo histórico,” ONGs como Caritas e France terre d’asile denunciaram o que chamam de “criminalização da migração.” Esperam-se desafios legais no Tribunal de Justiça e, na França, um acalorado debate constitucional quando o projeto de lei correspondente chegar à Assembleia Nacional ainda neste verão.
Fonte: AFP via The Sun Malaysia

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