
Após quatro anos de negociações, a União Europeia e o Reino Unido assinaram, em 14 de julho, em Bruxelas, o tão aguardado Acordo sobre Gibraltar. O pacto – testemunhado pelo ministro das Relações Exteriores da Espanha, José Manuel Albares, e pelo Chefe de Governo de Gibraltar, Fabian Picardo – prevê a demolição da centenária cerca conhecida como ‘Verja’ e a integração do território britânico ultramarino na área Schengen pela primeira vez. A partir da meia-noite de 15 de julho, os controles físicos na passagem terrestre entre La Línea e Gibraltar serão eliminados; em seu lugar, as verificações completas do espaço Schengen serão realizadas pela Polícia Nacional espanhola no aeroporto e no porto de Gibraltar, seguindo o modelo justaposto usado em Londres-St Pancras. Para os 15 mil trabalhadores transfronteiriços – muitos deles empregados nos setores financeiros e de jogos em expansão de Gibraltar – o fim da rotina de carimbos nos passaportes deve reduzir o tempo diário de deslocamento em até 40 minutos. Organizações empresariais de ambos os lados da fronteira preveem que a maior liberdade de circulação ampliará o mercado de trabalho compartilhado e facilitará a contratação temporária de prestadores de serviços espanhóis no território. O acordo também elimina os controles aduaneiros sobre a maioria das mercadorias, embora inspeções sanitárias e fitossanitárias permaneçam para produtos agroalimentares. Politicamente, o tratado não altera a questão da soberania, mas estabelece um comitê de governança conjunta entre Reino Unido, Espanha e UE, que deverá aprovar quaisquer mudanças legislativas futuras. Importante para gestores de mobilidade, o texto confirma que os residentes de Gibraltar serão tratados como nacionais de países terceiros sob as regras de Schengen ao viajarem para o restante da UE, enquanto os cidadãos da UE que entrarem em Gibraltar terão procedimentos facilitados. Equipes de RH e mobilidade global devem revisar a conformidade com as regras para trabalhadores destacados: a polícia espanhola terá acesso em tempo real aos sistemas de informação Schengen, de modo que permanências irregulares de contratados não pertencentes à UE poderão gerar alertas automáticos. As empresas também devem atualizar as políticas de cobertura A1 e de seguridade social, já que os Acordos Administrativos publicados pelo Ministério das Relações Exteriores do Reino Unido detalham como as contribuições serão coordenadas entre Espanha e Gibraltar. Na prática, os viajantes que cruzarem de carro notarão pouca mudança, exceto pela ausência da barreira. Durante um período inicial de transição de seis meses, as autoridades espanholas e gibraltarenhas manterão faixas de contingência para o caso de falhas no sistema de gestão da nova fronteira. Empresas que transportam mercadorias devem observar a orientação da Agência Tributária de que, a partir de 15 de julho, as declarações de segurança ENS não mais gerarão avisos de armazenamento temporário; em vez disso, deverão ser usadas declarações de entrada (G4) geradas via NCTS, e os residentes de Gibraltar terão acesso à rede espanhola de quiosques DIVA para reembolso de IVA.
Fonte: El País
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